Gestão

A melhor empresa do mundo para se trabalhar pode ser a sua

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Vamos partir do princípio de que é praticamente impossível agradar a todos os colaboradores de uma empresa. As vivências são diferentes e é extremamente difícil atender todas as expectativas.

No entanto, renomados pesquisadores da área de gestão listaram alguns pontos fundamentais, com base em pesquisas, que devem estar presentes nas corporações para que elas sejam consideradas boas para o desenvolvimento profissional.

Rob Goffee, professor de comportamento organizacional na Escola de Negócios de Londres, e Gareth Jones, professor da IE Business School, em Madri, na Espanha, dedicaram uma pesquisa profunda sobre o tema e mapearam seis pontos fundamentais para que um empreendedor crie ‘a melhor empresa do mundo para se trabalhar’.

Durante três anos eles investigaram o conceito de melhor empresa para se trabalhar e conversaram com centenas de executivos e funcionários do mundo todo, que descreveram sua organização ideal.

Muitas respostas foram específicas, é claro. Mas, por trás das diferenças de circunstância, indústria e ambição individual, os pesquisadores encontraram seis imperativos comuns. Juntos, eles descrevem uma organização que opera em seu potencial máximo, permitindo que as pessoas façam seu melhor trabalho.

Eles chamam isso de “a organização dos sonhos”. Em poucas palavras, é uma empresa onde as diferenças individuais são alimentadas; a informação não é suprimida; a empresa agrega valor aos funcionários, em vez de simplesmente extrair deles a força de trabalho; a organização representa algo significativo; o trabalho em si é intrinsecamente gratificante; e não há regras em excesso.

No entanto, os pesquisadores assumem que há poucas, se houver, organizações que possuem todas as seis virtudes. Vários dos atributos são contrários às práticas tradicionais e aos hábitos arraigados. Outros são complicados e podem ser caros de implementar. Alguns entram em conflito um com o outro. Quase todos exigem que os líderes equilibrem cuidadosamente os interesses concorrentes e repensem como alocam seu tempo e atenção.

Portanto, a companhia dos seus sonhos continua em grande parte aspiracional, mas as descobertas podem servir como um desafio: uma agenda para líderes e organizações que visam criar o ambiente de trabalho mais produtivo e gratificante possível. Confira os tópicos a seguir:

1-Deixe as pessoas serem elas mesmas

Quando as empresas tentam acomodar as diferenças, muitas vezes elas se limitam às categorias tradicionais de diversidade — gênero, raça, idade, etnia e similares. Esses esforços são louváveis, mas os entrevistados estavam atrás de algo mais sutil — diferenças nas perspectivas, hábitos mentais e suposições centrais.

A organização ideal está ciente das correntes dominantes em sua cultura, hábitos de trabalho, código de vestimenta, tradições e suposições governantes, mas, como o chanceler, faz esforços explícitos para transcendê-los. Estamos falando não apenas da empresa de serviços financeiros abotoada que abraça os caras de TI em shorts e sandálias, mas também da organização hipster que não parece desconfortável quando alguém usa um terno. Ou o lugar onde quase todos chegam em horas ímpares, mas que acomoda uma ou duas pessoas que preferem uma programação das 9h às 17h.

As empresas que conseguem nutrir a individualidade, portanto, podem ter que renunciar a algum grau de ordem organizacional.

2-Libere o fluxo de informações

A organização dos seus sonhos não engana, omite, distorce. Ela reconhece que, na era do Facebook, WikiLeaks e Twitter, é melhor dizer a verdade às pessoas antes que outra pessoa o faça.

Ela respeita a necessidade de seus funcionários de saber o que realmente está acontecendo para que eles possam fazer seu trabalho, particularmente em ambientes voláteis, onde já é difícil manter todos alinhados e onde os trabalhadores de todos os níveis estão sendo solicitados a pensar mais estrategicamente.

A honestidade radical não é fácil de implementar. Requer a abertura de vários canais de comunicação diferentes, o que pode ser demorado e complexo para manter.

3-Amplie os pontos fortes das pessoas

A empresa ideal torna seus melhores funcionários ainda melhores — e o menor deles melhor do que jamais pensaram que poderia ser.

Universidades e hospitais de elite, Goldman Sachs e McKinsey, e empresas como Google, Apple e Alelo são exemplos que fazem isso de inúmeras maneiras: fornecendo redes, interação criativa com colegas, tarefas com propósito, treinamento e uma marca que confere status de elite aos funcionários. Nada disso é ciência de foguetes, nem é provável que seja novidade para ninguém.

Mas o desafio de encontrar, treinar e reter excelentes trabalhadores não se limita a indústrias especializadas ou de alta tecnologia. A relação empregado-empregador está mudando de quanto valor pode ser extraído dos trabalhadores para quanto pode ser adicionado neles. No fundo, é isso que a melhoria da produtividade realmente significa.

4-Defina valor para o trabalho

As pessoas querem fazer parte de algo maior do que elas mesmas, algo em que podem acreditar.

Tornou-se comum afirmar que as organizações precisam de um significado compartilhado, e isso certamente é assim. Mas o significado compartilhado é mais do que cumprir sua declaração de missão: trata-se de forjar e manter conexões poderosas entre valores pessoais e organizacionais. Quando você faz isso, você promove a individualidade e uma cultura forte ao mesmo tempo.

5-Mostre como o trabalho diário faz sentido

Além do significado compartilhado e do valor do trabalho, os executivos ouvidos pelos pesquisadores querem outra coisa. Eles buscam obter significado de suas atividades diárias.

Essa aspiração não pode ser cumprida de forma abrangente por meio do complemento de enriquecimento de trabalho. Isso requer nada menos do que uma reconsideração deliberada das tarefas que cada pessoa está realizando. Esses deveres fazem sentido? Por que eles são o que são? Eles são tão envolventes quanto podem ser? Este é um empreendimento enorme e complexo.

Além de reconsiderar papéis individuais, tornar o trabalho gratificante pode significar repensar a forma como as empresas são lideradas. O desafio é semelhante ao de promover o crescimento pessoal. Se você não fizer isso, as melhores pessoas podem sair. Ou seus concorrentes podem desenvolver o potencial em pessoas que você negligenciou.

Quando você faz o investimento, seus funcionários se tornam mais valiosos para você e seus concorrentes. O truque, então, é tornar significativo para eles ficarem.

6-Tenha regras simples

Ninguém deve se surpreender que, para muitas pessoas, a organização dos sonhos esteja livre de restrições arbitrárias. Mas isso não exclui todas as regras. Os engenheiros devem seguir procedimentos e controles de qualidade apertados — ou os edifícios entrarão em colapso.

As organizações precisam de estrutura. Mercados e empresas precisam de regras. À medida que os negócios empreendedores bem-sucedidos crescem, muitas vezes eles acreditam que processos novos e complicados prejudicarão sua cultura. Mas a sistematização não precisa levar à burocratização, não se as pessoas entenderem para que servem as regras e as vejam como legítimas.

Apesar do achatamento das hierarquias, da quebra das fronteiras organizacionais que se seguiu e a imprevisibilidade das carreiras, as instituições continuam sendo “associações imperativamente coordenadas”, onde o respeito pela autoridade é crucial para a construção e manutenção da estrutura.

No entanto, sabemos que, cada vez mais, os funcionários são céticos em relação ao poder puramente hierárquico — de cargos extravagantes e fontes tradicionais de legitimidade, como idade e antiguidade. E eles estão se tornando mais desconfiados do carisma, já que muitos líderes carismáticos acabam por revelar possuir fraquezas pouco visíveis numa primeira impressão.

O que os trabalhadores precisam é de um senso de autoridade moral, derivado não do foco na eficiência dos meios, mas da importância dos fins que produzem. A organização dos seus sonhos lhe dá motivos poderosos para se submeter às estruturas necessárias que suportam o propósito da organização.

A conclusão

Os pesquisadores concluem que o trabalho pode ser libertador ou pode ser explorador. Apesar das mudanças que as novas tecnologias e as novas gerações trazem, as forças subjacentes do capitalismo e da burocracia permanecem poderosas.

Mas eles defendem que à medida que você se esforça para criar uma organização autêntica e realizar plenamente o potencial humano no trabalho, não deve subestimar o desafio de criar a melhor empresa para se trabalhar. Se você fizer isso, essas organizações continuarão sendo a exceção e não a regra para a maioria das pessoas, ou seja, você vai criar um sonho — e terá bônus e ônus por isso.

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