Imagina receber uma caixinha de surpresas no conforto do seu lar. É assim que funcionam os clubes de assinatura, setor que apresentou crescimento considerável em 2020, o ano da pandemia de Covid-19. O modelo de negócio é vantajoso pois não exige grandes estoques e altos investimentos.

Foi no final de 2011 que os clubes de assinatura começaram a pipocar na internet, mas passaram a ganhar relevância apenas quatro anos depois, quando grandes varejistas e empresas de conteúdo passaram a investir na modalidade. Desde então, teve 167% de crescimento no Brasil, conforme dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

A pandemia acelerou as mudanças de comportamento do consumidor. Passando boa parte do tempo em casa, as pessoas mergulharam de vez na era da virtualidade, dando preferência para as compras on-line. O ano passado registrou mais de 132,6 milhões de compras em lojas virtuais e marketplaces.

Falando em números, a tendência já movimenta cerca de 1 bilhão de reais por ano no Brasil e chega a 10 bilhões de dólares anuais nos Estados Unidos. Em 2020 houve 12% de aumento no faturamento em relação a 2019, segundo levantamento da plataforma e-commerce Betalabs Tecnologia.

Mais de 800 clubes de assinatura surgiram em meio a pandemia

E a expectativa para 2021 continua alta. O estudo da Ebit|Nielsen especula que o setor de comércio eletrônico aumente as vendas em 26%, chegando a um faturamento anual de R$ 110 bilhões.

Aproveitando o bom momento do mercado, os clubes de assinatura se expandiram, trazendo maior variedade de escolha e de nichos. Itens de beleza, gastronomia, vinhos, livros, pets, games e cultura pop são apenas alguns dos tipos de serviços já existentes no setor que move assinantes.

O funcionamento é a base de adesão de planos mensais, que podem ser desde um único valor fixo ou com opções de preços, distinguindo a quantidade e/ou as características dos produtos a serem enviados na caixa. Pode ser focado desde lançamentos até itens artesanais de pequenos produtores.

A escolha do cliente está diretamente relacionada a seus hobbies ou estilo de vida. O público mais recorrente nesse tipo de serviço são os millennials — ou geração Y — , pessoas nascidas entre os anos 1981 e 1996.

É um grupo ávido por novidades, conectado e disposto a testar experiências que saiam do lugar-comum. A comodidade proporcionada pela tecnologia é outro fator que conta bastante para consumidores de 25 a 40 anos de idade.

Entre as vantagens para o investidor estão a fidelização dos clientes e o contato com a marca, despertando um relacionamento duradouro. Outros pontos mais técnicos importantes são o controle de estoque, a previsibilidade de receita, baixas taxas de inadimplência e otimização de equipe.

Uma pesquisa realizada pela Deloitte, empresa de soluções em auditoria e consultoria empresarial, descobriu que entre as gerações, os millennials são os mais propensos a aderir a serviços recorrentes e clubes de assinaturas, destacando que nesse estudo foram considerados millennials até 35 anos.

Para montar um clube de assinatura, o empreendedor pode trilhar o seguinte caminho:

  • identificar nichos que faltam no mercado;
  • conhecer a concorrência;
  • procurar inspiração entre as marcas de sucesso;
  • verificar a recorrência de compra dos itens a serem oferecidos;
  • fazer uma boa curadoria de produtos e fornecedores;
  • dar personalidade ao seu negócio, afinal, uma das maneiras de conquistar e fidelizar o cliente atualmente é humanizando o marketing ao redor do produto e da empresa.

Em qual setor investir?

A Ebit|Nielsen fez algumas projeções de vendas para 2021, apontando crescimento de 16% no número de pedidos via comércio eletrônico.

“O ambiente mais confortável para o consumidor no e-commerce é acompanhado pela maior qualificação e preparo das lojas, seja grandes marketplaces, seja pequenas lojas que tiveram que entrar no ambiente online por conta da pandemia”, explicou Julia Ávila, executiva que lidera a área comercial da consultoria.

Somando as previsões com dados da empresa de inteligência de mercado Neotrust/Compre&Confie sobre o segundo trimestre de 2020, dentre os setores mais procurados atualmente, se destacam:

  • Alimentos e Bebidas: com alta de 241%, o setor engloba lojas online com predominância de venda de alimentos, hortifrúti e bebidas — inclui comércios eletrônicos especializadas em suplementos alimentares.
  • Casa e Decoração: com alta de 236% para cama, mesa e banho; e 174% para móveis, o setor inclui lojas online com predominância na venda de artigos para casa, como mobiliário, luminárias, acessórios para decoração, entre outros.

A previsão aponta ainda que os setores de construção, arte e antiguidade, e bebês e cia terão índices altos em 2021. “Foram segmentos que se consolidaram neste ano e devem continuar tendo bom desempenho. Todos estão ligados à maior importância que as pessoas dão em construir ambientes mais aconchegantes para se adaptar à nova lógica imposta pela pandemia”, afirmou Ávila.

Destacamos ainda o setor pet, que driblou a crise do início da pandemia e conquistou um crescimento de 30% no faturamento anual, além de contribuir com a geração de empregos.

As lojas online com predominância na venda de rações, medicamentos, itens de higiene, acessórios, cuidados e brinquedos para animais são algumas das apostas para investimento.

Clubes de assinatura para te inspirar

A Alelo separou algumas iniciativas no setor de alimentos e bebidas para que você conheça, se inspire e, quem sabe, coloque novas ideias em prática. Confira abaixo:

organicos in box

Orgânicos in Box: de olho na alimentação saudável, o clube de assinatura de hortifruti entrega frutas, legumes e verduras frescas semanalmente em casa. O cliente recebe uma cesta pronta, podendo personalizar um pouco o que será entregue, de acordo com a safra atual. O valor, a partir de R$ 60,00, varia de acordo com tamanho e frequência (avulsa, semanal, quinzenal ou mensal). Disponível no Rio de Janeiro.

Colonial Assinatura

Caixa Colonial: focando em sabores locais e artesanais do Brasil, a caixa gastronômica cultural reúne ingredientes, alimentos e bebidas de diferentes regiões. A assinatura é trimestral, semestral ou anual, mas o cliente também pode experimentar a versão avulsa a partir de R$ 139,00. Frete grátis para as regiões Sul, Sudeste e Brasília.

Na Mantiqueira: o e-commerce oferece variedade em ovos para compra, assinatura ou food service (varejo e atacado). Agora também incluiu substitutos veganos para ovos em receitas, atendendo a um nicho ainda em expansão no Brasil. Os planos custam a partir de R$ 19,90 por mês. Disponível em São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Sul de Minas Gerais.

Coffee & Joy: os amantes de um bom café podem recorrer a clubes de assinatura específicos. Neste, há até 15 opções mensais para os clientes, que receberão o grão inteiro ou já moído no tamanho de 250g. É possível selecionar o café desejado ou aguardar a seleção da equipe, que é uma surpresa. Todo mês a marca também envia um mimo diferenciado pelo Correio. Custa a partir de R$ 29,80

coffe e joy

E aí, pronto para pensar “dentro da caixa” e ainda inovar esse ano?

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