Seja antes, durante ou depois da tempestade, os períodos de crise abrem caminhos para o novo. E assim criam oportunidades, como é o caso da chamada economia da recorrência, modelo de negócio que vem ganhando cada vez mais adeptos e pode ser aplicado ao ramo alimentício ainda em tempos de pandemia.

Uma das tendências de consumo da nova era se pauta na ideia de que as pessoas não querem mais possui coisas e sim terem acesso a serviços. A pandemia do Covid-19 certamente acelerou esse processo, na medida em que houve isolamento social, fechamento e limitações de espaços físicos, o trabalho foi remodelado para ser remoto e as plataformas virtuais se tornaram o principal meio de compra.

Fora do Brasil, o termo é conhecido como subscription economy (economia de assinaturas), que substitui a chamada economia do produto e vem crescendo exponencialmente. Ao longo dos últimos oito anos, houve um aumento de 400%, de acordo com uma pesquisa da empresa de software Zuora, divulgada em setembro de 2020.

A modalidade de recorrência prioriza relacionamento ao produto, oferecendo experiências ao invés de coisas.

Os serviços de streaming, como a Netflix, o Spotify e a Amazon, são dois bons exemplos de economia de recorrência, nos quais os clientes pagam uma mensalidade acessível para desfrutar de produtos de entretenimento onde e quando quiserem, mantendo uma frequência de acessos e fidelização.

E não para por aí: instituições de ensino, estacionamentos e lava rápidos, meios de comunicação, seguros e planos de saúde, e academias são ramos de negócio que vêm desfrutando dos benefícios do consumo contínuo, que irá proliferar cada vez mais numa sociedade movida pela praticidade.

A solução da recorrência também é vista com bons olhos quando direcionada ao setor de alimentos e bebidas, podendo reinventar a maneira de fazer o negócio proliferar e atravessar a crise. Entre as principais vantagens está a receita previsível, garantindo maior controle de estoque e uma administração mais assertiva.

Até mesmo o serviço de catering pode se beneficiar da modalidade em tempos nos quais eventos estão escassos ou fora de cogitação. Que tal utilizar as habilidades culinárias da equipe para criar um clube de assinatura com as principais comidinhas preparadas? Aos finais de semana, quando refeições mais elaboradas e delivery bombam em pedidos, pode ser uma boa oferta ao cliente que quer distância da cozinha.

Como aplicar a economia da recorrência em restaurantes e bares

Para o ramo de alimentos, o modelo de negócio funciona com base em clubes de assinatura e delivery. Se antes bares e restaurantes anunciavam promoções e ações diferenciadas impressas em papéis, agora é por meio de sites, redes sociais e aplicativos próprios para celular.

Tal serviço é uma alternativa a quem quer comer bem sem sair de casa para comprar insumos ou sem ter que se deslocar até o restaurante favorito, atividade que em tempos de pandemia deixa uma parcela de clientes inseguros.

Essa foi a alternativa encontrada pela chef Bruna Martins, do Birosca, em Belo Horizonte. No ano passado, ela criou o Clube do Birex, que funciona com base no pirex, travessa de vidro presente em inúmeras reuniões familiares brasileiras. Todas as sextas-feiras, o cliente entrega um pirex vazio ao restaurante e o recebe de volta recheado com alguma delícia à escolha.

O intuito é incentivar uma boa refeição, fidelizar o cliente da casa e promover os pratos que são a cara do lugar. Entre os exemplos de comida afetiva estão: almôndegas com talharim aos quatro queijos mineiros e pernil desfiado com tutu e macarrão ao molho de tomate assado. Há opções vegetarianas também.

Por enquanto, a assinatura é mensal, mas os planos são de torná-la trimestral e adicionar mais um dia de entrega dos pratos.

No ramo das cafeterias, há uma iniciativa bem bacana no Reino Unido. O YourPret Barista criou um jeito de fidelizar os clientes em home office que não perdem a chance de degustar suas bebidas favoritas. Na proposta de assinatura são oferecidas até cinco bebidas por dia em troca de uma taxa mensal. Em até meia hora, os baristas preparam cafés, chás, chocolates quentes, smoothies e frapês direcionados ao delivery.

Para os restaurantes que não têm recursos suficientes para criar um app ou toda a logística de um novo modelo de negócio, é possível fazer parte do Chefsclub, um clube de gastronomia disponível em várias cidades do Brasil, que oferece descontos e benefícios em estabelecimentos cadastrados. O usuário economiza e o empreendedor ganha mais chances de visibilidade, retorno financeiro e fidelização.

Outra opção viável é fornecer kits semanais ou mensais para quem quer preparar algo para comer bem em casa, sem se preocupar com o planejamento da semana. É algo bem importante a ser pensado em tempos de home office, nos quais cozinhar se tornou uma tarefa a mais.

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O Grupo Pão de Açúcar facilita a rotina do cliente do supermercado com o Cheftime, clube de assinatura que entrega em casa semanalmente kits de ingredientes gourmet selecionados, evitando produtos ultraprocessados e o fast food.

No menu premium, chefs assinam a receita mais elaborada e que leva 30 minutos ou mais para estar pronta. Já o menu regular conta com opções a serem feitas em até 15 minutos. O clube dispõe também de opções leves, vegetarianas, low carb, comfort food e snacks.

Os planos podem ser personalizados na hora da assinatura. As refeições são planejadas para duas ou quatro pessoas, incluindo de uma a cinco receitas por semana, a depender de quantas vezes o cliente fará o preparo. Para experimentar esporadicamente, basta comprar a caixa avulsa.

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As marmitas congeladas são mais uma opção de recorrência a ser oferecida para a comodidade do cliente. Operando em São Paulo, o Da Má Da Lê é um e-commerce com foco em refeições prontas, vendidas de forma unitária, por encomenda ou por assinatura. O serviço é diversificado, trazendo marmitas econômicas, low carb, sem glúten ou lactose, e vegetarianas.

Indo além dos exemplos mencionados acima, os clubes de assinatura incluem nichos bem variados, passando por refeições premium, porções para grupos, marmitas, pães e quitutes de padaria, drinks, cervejas, cafés especiais, vinhos, sobremesas, entre outros.

Neste serviço específico, procure levar propostas inéditas ao seu público. Aos entusiastas da gastronomia que pensam em investir em um negócio inovador em 2021, procurem por uma área ainda pouco explorada e oferecida no mercado. Que tal criar kits de café da manhã para serem entregues todos os sábados? Ou um clube confeiteiro, dedicado às formiguinhas de plantão que não vivem sem um doce? Com criatividade há muitas possibilidades!

Principais vantagens da economia da recorrência

     Consumo contínuo;

     Previsibilidade de receita;

     Controle de inadimplência;

     Otimização de estoque;

     Economia em custos operacionais;

     Praticidade de vendas por meio da internet;

     Ampliação de um sistema de dados com conhecimento sobre cada cliente;

     Delivery programado;

     Criação de programas de recompensas;

     Engajamento e fidelização do cliente;

Pensando em se tornar adepto da economia da recorrência? Leia também no blog Alelo uma matéria relacionada ao tema sobre clubes de assinatura.

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