Existem várias formas para pequenos e médios empreendedores captarem investimentos no mercado. Desde a tomada de empréstimos e financiamento em instituições financeiras a aportes de investidores em formatos diversos como investimento-anjo, capital semente, capital venture e private equity, por exemplo. Há ainda, o bootstrapping, as incubadoras e as aceleradoras.

O blog da Alelo entrevistou especialistas e vamos abordar diferentes possibilidades de captação de investimento no decorrer do post.

“O empreendedor deve estudar como funciona a captação de recursos e qual o modelo mais adequado para cada tipo de negócio e a fase na qual se encontra”, ressalta Felipe Barreto Veiga, sócio do BVA Advogados e especialista da M&A Investimentos.
Ele diz que não é preciso começar com valores exageradamente altos e sim que atendam às necessidades iniciais do negócio. “Não é necessário uma captação milionária para conseguir o sucesso. Pode-se começar com 200, 300 mil e depois fazer uma captação maior, até porque não adianta ter muito dinheiro em caixa se você não sabe como usá-lo”, ressalta Veiga.
Ter clareza de como o dinheiro será utilizado, portanto, e do retorno que trará, são aspectos que devem constar do plano de negócios – planejamento fundamental para qualquer empreendimento.
“Um grande erro do empreendedor é buscar investimento sem estar bem preparado. Ele pode se prejudicar se o investidor fizer perguntas e ele não souber responder”, alerta Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil, uma entidade de fomento ao investimento anjo.
Spina explica que é preciso ter muito claro em que o dinheiro do investidor será usado. Se será para contratar os primeiros funcionários, para ampliação da equipe, para máquinas ou equipamentos, por exemplo. “Essas informações devem estar muito bem definidas e detalhadas em um plano que as comprove e que demonstre as perspectivas de resultado que serão geradas com o investimento”, destaca Spina.
Para empresas em início de funcionamento, especialistas orientam que busquem um investidor-anjo – pessoas físicas, muitas vezes, grandes empresários, interessados em investir em negócios inovadores que recém abriram as portas.
Por negócios inovadores entenda-se um produto ou serviço ou até um processo que não existe e que gere uma vantagem competitiva. “Ou seja, que tenha um custo mais acessível, que consiga ser mais eficiente, atenda melhor o cliente, gere mais valor ou ofereça uma margem de lucro maior, entre outros aspectos”, detalha o fundador da Anjos do Brasil.
Caio Ramalho, professor e coordenador do FGVnest – Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, dá como exemplo de empresa iniciante uma startup que tem um mínimo produto viável (conjunto de testes primários feitos para validar a viabilidade do negócio) e ainda não começou a escalar. “Esse é o tipo de negócio que deve buscar um investimento-anjo e depois um venture capital, quando a startup começa a escalar e já tem um volume maior de receita”, diz ele.
O venture capital ou capital de risco são fundos de investimento que reúnem o dinheiro de vários investidores para aplicar em empresa com potencial de crescimento. Entre o investidor-anjo e o venture capital, porém, uma startup pode receber ainda o aporte de capital semente, que também se caracteriza como um fundo cujos investidores investem em vários negócios para aumentar as chances de retorno.

Smart Money – o dinheiro que agrega conhecimento ao seu negócio

Todos esses investimentos se caracterizam como “smart money” ou “dinheiro inteligente”, em que o investidor direto da empresa, além de oferecer aportes financeiros, também colabora com sua expertise no segmento ou atividade em que a empresa atua. “Existem diferentes formas e graus de envolvimento no negócio, mas o investidor traz conhecimento, pode pensar na estratégia da empresa, no orçamento, planejamento e ainda fazer conexão com outros potenciais clientes, entre vários outros conhecimentos”, destaca o professor da FGV.
“É mais um sócio do que alguém que empresta dinheiro, pois ele atua junto com o empreendedor tentando capturar resultados, por isso o mercado tem buscado muito esse formato do dinheiro inteligente”, relata o sócio do BVA Advogados.
Outro tipo de investimento  existente é o private equity que busca empresas já consolidadas para retorno financeiro a médio ou longo prazo. O fundo pode ser formado por empresários com recursos próprios, investidores internacionais e até agências de desenvolvimento e fomento.
Já o bootstrapping não prevê investimento externo. “O próprio grupo de fundadores toca o negócio com recursos próprios e é uma técnica mais voltada a negócios tradicionais, que precisam de mais dinheiro para crescer de forma acelerada”, explica Ramalho.
Também existem a incubadoras, vinculadas a universidades e instituições de ensino, que apoiam empreendedores novatos, e as aceleradoras, uma espécie de estágio avançado das incubadoras, que oferecem apoio financeiro, consultoria e treinamento em troca de participação no capital da empresa. Há aceleradoras que não exigem contrapartida, um pedaço societário, e aquelas que exigem participação societária no negócio. “O objetivo da aceleradora é ajudar a startup a se estruturar, organizar o negócio e chegar no MVP”, pondera o professor da FGV.
Antes de ir atrás de qualquer investimento, é essencial estruturar bem o negócio, e, no caso de empresas já criadas, resolver problemas trabalhistas, contábeis ou fiscais – ou, ao menos, ter planos para isso de modo a diminuir a ineficiência operacional. “Também é importante não misturar o patrimônio pessoal com o da empresa porque isso pode afastar os investidores. Em resumo, é preciso organizar a “casa”, saber para onde se quer ir e assim começar a captar investimento”, aconselha Veiga. Abaixo, veja a descrição de alguns dos principais tipos de investimento.

Principais tipos de investimentos que um negócio pode receber

Investidor-anjo

Têm como alvo startups de pessoas conhecidas, próximas ou da família em fase inicial ou mesmo no campo das ideias. Os investidores são pessoas físicas, muitas vezes, grandes empresários, interessados em investir em negócios inovadores e costumam investir entre R$ 50 mil e R$ 500 mil para depois repassar sua parte para investidores maiores.

Capital semente

Para empresas que já possuem clientes e produtos definidos, mas requerem suporte financeiro em torno de R$ 500 mil a R$ 2 milhões para se firmar no mercado. É usado logo após a fase do investidor-anjo. Para reduzir os riscos, os investidores montam fundos para captar recursos de vários investidores e assim investir em várias empresas e assim aumentar as chances de acerto.

Venture capital ou capital de risco

Esse fundo de investimento reúnem o dinheiro de vários investidores para aplicar em empresa com alto potencial de crescimento. Eles investem entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões em empresas que já são bem-sucedidas e têm como objetivo ajudá-las a crescer e depois vendê-la ou fazer uma fusão ou abertura de capital no futuro.

Private equity (capital privado)

Atividade financeira em que um fundo levanta capital para adquirir participação em empresas já consolidadas, bem estabelecidas. O foco é o retorno financeiro a médio ou longo prazo, com a venda.

Bootstrapping

O termo “bootstrapping” significa “alça de botas” e surgiu de uma expressão que dizia “puxar-se para cima com suas próprias alças de botas”. No mercado de investimentos, a prática se refere a iniciar uma empresa sem investimento externo, ou seja, usando os seus próprios recursos e seguindo um processo autossustentável.

Incubadora

Universidades e instituições públicas oferecem infraestrutura e espaço físico para empreendimentos em estágio inicial. Em geral, não há investimento financeiro no negócio

Aceleradora

Oferece suporte de gestão, com mentorias e orientações de profissionais qualificados. É mantida por investidores que dão aporte financeiro e ajudam a captar investidores, tendo como objetivo ganhar dinheiro com o retorno da venda das ações da empresa acelerada.

 

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