Para muitas mulheres, empreender não é uma escolha, mas a única saída de voltar ao mercado de trabalho após a chegada dos filhos. O empreendedorismo materno é uma parcela significativa do empreendedorismo feminino, que a cada dia ganha mais visibilidade dentro do mercado.

‘Compre de Uma Mãe’ é o lema de um dos grupos que fomenta esse tipo de negócio e reforça a sua importância para a economia

O lema ‘Compre de Uma Mãe’, entoado pelo grupo Maternashop, é um exemplo de que as mulheres podem se organizar para fazer essa roda da economia girar ainda mais forte. Em tempos de Dia das Mães, parece até a romantização de um termo, mas a verdade é que o mercado de trabalho nem sempre deixa alternativas para essas mulheres.

Segundo uma pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora, 85% das entrevistadas já empreendem e 15% pensam em empreender. O raio-x traçado por esse levantamento diz que essa mulher empreendedora é uma mulher brasileira, de 39 anos, mãe de um filho, casada, com formação superior completa, sonhadora, com experiência no mundo corporativo, satisfeita com o sucesso conseguido com o seu negócio, ou na busca dele, e dona de uma empresa no setor de serviços. A pesquisa ainda diz que ela conta com apoio de sua família para cuidar da casa, porém ainda precisa aprender a delegar suas tarefas – tanto as domésticas, quanto na empresa.

Mas nem tudo são flores. Em meio a pandemia do coronavírus, muitas se viram com uma jornada que já não é mais nem dupla e nem tripla. Estudiosos já cunharam o termo “jornada contínua” para definir o dia dessa mulher que cuida dos filhos, da casa, trabalha e só descansa na hora de dormir. E ela tem dormido menos.

“Em função da carga de afazeres e cuidados, muitas mulheres se sentem compelidas a buscar ocupações que precisam de uma jornada de trabalho mais flexível”, explica a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, Barbara Cobo, na ocasião do lançamento do estudo de Estatísticas de Gênero. E o empreendedorismo materno é o caminho preferido, pois garante certa flexibilidade de horário e de jornada.

Recém divulgado pelo IBGE, o estudo de Estatísticas de Gênero aponta que as mulheres dedicavam, em média, 18 horas semanais a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos. Ainda assim, elas não enxergam como parar.

De acorde com essa mesma pesquisa da Rede Mulher Empreendedora, a decisão de empreender para a mulher está atrelada a independência financeira e a maternidade: 75% das empreendedoras decidem ter um negócio após a chegada dos filhos. Na classe C, a porcentagem aumenta para 83% com o nascimento do primeiro bebê. A maioria das que empreendem de fato compõem a classe B e C. É uma mulher casada, com filhos e grau de escolaridade maior do que as que planejam empreender. Elas têm em média 36,5 anos, sendo que 30% pertence a Classe C, enquanto 35% das mais velhas pertencem a classe A.

Grupos de apoio para mães empreendedoras

A boa notícia é que os grupos de apoio se multiplicam. A mãe empreendedora consegue encontrar diversas formas para aprimorar a gestão do seu negócio, além de se unir a outras empreendedoras maternas. Confira algumas iniciativas:

1. Rede Mulher Empreendedora

A Rede Mulher Empreendedora (RME) é a uma rede de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil, que tem como propósito empoderar empreendedoras, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas, por meio de diversas ações de capacitação. Com mais de 400 mil participantes, oferece site de conteúdo, dicas, notícias e fóruns de discussões. Promove cursos, mentorias, inspiração e já recebeu diversos prêmios de reconhecimento por sua atuação.

2. Maternativa

A Maternativa se dedica intensamente a transformar a relação entre mães e trabalho, independentemente do caminho encontrado pela mulher para sua realização. Tem como propósito colocar em pauta as mudanças que a maternidade suscita nesse âmbito e, a partir delas, ter um olhar mais profundo e amplo para encontrar novas formas das mulheres se manterem produtivas, potentes e reconhecidas, na vida profissional e familiar. No grupo do Facebook, no qual apenas as mães são aceitas, discussões sobre maternidade se misturam com empreendedorismo e negócios.

3. Maternashop

Criada pela empreendora Clareana Eugênio, mãe de três, em 2015, o Maternashop nasceu no Facebook e já expandiu a sua atuação para um site próprio. A comunidade conta com mais de 30 mil mães, em sua maioria empreendedoras, com destaque para a Feira Virtual Maternashop, onde todos os meses as expositoras contam com uma semana exclusiva para promover os seus negócios dentro da rede. O grupo ainda conta com ações sociais, que foram destaque no início da pandemia da Covid-19.

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