Importados: qualidade dos produtos e valor agregado ajudam a vender mais

A disseminação do coronavírus pelo mundo contaminou também a economia. O mercado de importação e exportação foi bastante afetado, não só pela volatilidade cambial, mas também pela paralisação de fábricas na tentativa de impedir o vírus de avançar, reduzindo assim a demanda por matéria prima e a oferta de produtos.

Embora ainda não se saiba ao certo como se dará o retorno das pessoas à vida “normal”, há uma previsão de melhora no cenário econômico ao final do primeiro semestre. “Sabemos que fluxo de caixa neste cenário de pandemia é uma questão complicada para a maioria das empresas, principalmente as pequenas e médias. Todavia, o segundo semestre tem diversas datas que estimulam o consumo, como o “Dia dos pais”, “Dia das Crianças”, “Black Friday” e “Natal”. Penso que continuarão sendo boas épocas para as vendas em geral”, afirma Gilberto Satori, consultor em comércio exterior, especialista em importação de alimentos e bebidas.
Aos empreendedores que trabalham com produtos importados, há o desafio portanto de conseguir se adaptar ao novo cenário. “Os varejistas precisarão se reinventar para continuar comercializando esses produtos com preços mais competitivos para manter a atratividade para as pessoas, na realidade financeira em que se encontram”, destaca Sartori.

Os produtos importados, quando adquiridos a custo reduzido e bem precificados, podem oferecer boas margens de lucro. Mas há uma série de aspectos que o empreendedor deve considerar antes de entrar nesse ramo para evitar futuras dores de cabeça – e mesmo o prejuízo.

A seguir, especialistas respondem às principais dúvidas sobre importação de produtos. Confira.

1. Quais os produtos mais indicados para importação?

Bebidas, cosméticos e automóveis são áreas nas quais a importação vale a pena, segundo Robson Gonçalves, professor dos MBAs da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Entre as bebidas, vinhos, cervejas e destilados como vodka, whisky e sakê são os mais procurados. Ainda, há demanda pela importação de refrigerantes, sucos de frutas e bebidas à base de cereais como leite de amêndoas, leite de aveia e leite de arroz, relata Sartori. Por serem produtos de boa qualidade, podem proporcionar margens de lucro maiores para o comerciante por conta do valor agregado que possuem, explica o assessor.

2. O importado agrega valor ao negócio?

Nem sempre. Uma cerveja anunciada como contendo “malte importado” pode ser objeto de desejo. Mas um medicamento com princípio ativo importado só será comprado em caso de necessidade. No segmento de alto luxo (como o de carros importados e bolsas), há consumidores fiéis a esse mercado. A exemplo, a marca francesa Hermès reabriu sua loja em Guangzhou, China, no último sábado e faturou U$ 2,7 milhões no 1º dia pós-quarentena. Segundo o site Footware News, este é provavelmente um recorde de faturamento em um dia para a grife. O mesmo não acontece com produtos mais básicos como alimentos. “A agregação de valor é algo subjetivo e a importação não garante que isso ocorra em todos os setores”, relata o professor da FGV. Já Sartori afirma que o brasileiro tende a associar o produto importado a uma qualidade superior. “No caso das bebidas, se bem escolhidas, acredito que podem sim trazer um diferencial competitivo, visto que as pessoas se mostram dispostas a pagar um preço maior por esses itens”, diz. Para ele, a vantagem de comprar de diversos países é a possibilidade de sempre apresentar novidades aos clientes, estimulando-os a consumirem mais dos seus produtos.

3. Ainda existe a mentalidade de que o que é de fora é melhor?

“Depende do segmento. Quando são produtos importados de países desenvolvidos como Itália, Alemanha, Estados Unidos ou dos países escandinavos, com certeza é um diferencial. São produtos com qualidades excepcionais”, afirma Kleber Fontes, empresário e consultor nas áreas de comércio exterior e logística internacional, e autor do livro 7 Passos para o Sucesso na Importação – O manual para ser bem-sucedido no comércio exterior.

4. Sai mais caro importar?

Depende de cada segmento. “Os preços dos importados são diretamente impactados pelo dólar. Desde artigos de consumo até medicamentos e passagens aéreas”, explica Gonçalves. Sartori complementa que importar pode sair mais barato, já que o dono do negócio elimina o intermediário que faz a compra, importa e revende para o estabelecimento com sua margem de lucro. No entanto, ele ressalta que há outras questões a observar como o volume a ser importado e, principalmente, os profissionais envolvidos no processo de compra, transporte e despacho de importação no Brasil. O assessor recorda que para importar bebidas, por exemplo, a empresa precisa ser credenciada no Ministério da Agricultura e os produtos devem atender a padrões de identidade e qualidade estabelecidos na legislação brasileira. “Além disso, há certificados específicos e informações obrigatórias na rotulagem que devem ser observados antes dos produtos embarcarem com destino ao Brasil. É importante contar com profissionais com experiência na importação deste tipo de produtos”, destaca.

5. Como a economia e a alta do dólar interferem nas importações?

Quanto mais estável a economia, maior a segurança por parte do importador. Esta estabilidade tem ligação direta com a injeção de capital no negócio pelo investidor. “O principal foco do importador será como revender/escoar este produto no mercado interno no menor tempo, com a melhor margem de lucro e com o recebimento mais rápido possível”, explica Fontes. Segundo o consultor, a variação cambial inflaciona o valor de venda dos produtos importados que acaba sendo repassado ao cliente final. Alguns empreendedores, porém, preferem absorver o prejuízo eles mesmos, diz.

6. Há muitos tributos a pagar para realizar uma importação?

Os tributos pagos na importação dependem da classificação fiscal (NCM) do produto, assim como do regime de tributação (simples nacional, lucro presumido ou lucro real). Já as taxas variam conforme o modal e a modalidade de importação.

7. Há pesquisas que mostram a valorização das importações?

Fontes destaca o relatório recente do coeficiente de penetração das importações, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria. Esse índice mede a participação dos produtos importados no consumo nacional, o qual atingiu 18,4% em 2018, segundo ano consecutivo de aumento. No fim de 2017, o coeficiente estava em 17,1% na série a preços constantes.

8. Como se preparar para momentos de dólar elevado?

Há diversas ações que podem ser tomadas, como renegociar os valores de compras com o exportador, explicando a ele a situação atual do Brasil. Fontes também propõe estudar a possibilidade de fracionar os pedidos, em vez de fazer um investimento centralizado em poucas operações, o que pode prejudicar o fluxo de caixa da importadora. Ainda pode ser válido fazer contato com novos fornecedores de países latinos, por exemplo, com os quais o Brasil possui acordos econômicos, reduzindo assim a incidência dos impostos de importação, entre outras opções.

9. É preciso fluxo de caixa para atuar no ramo da importação?

Sim, é necessário um investimento antecipado para que, depois de consolidado, comece a dar retorno. “Ao comprar no mercado interno para revender, há a opção de comprar a prazo parcelado, o que não ocorre na importação.

10. O importado pode ficar mais barato que o nacional?

Para o professor da FGV, a redução de impostos sobre importações que vinha sendo implementada pelo governo visa aumentar a concorrência no mercado interno e ajudar no controle da inflação, o que pode favorecer os importados.

 

 

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