Uma nova vertente do empreendedorismo vem ganhando destaque no mundo corporativo. Trata-se do intraempreendedorismo, que consiste na possibilidade de criar novos negócios na empresa onde você trabalha.

“O intraemprendedorismo está ganhando força porque revela um modelo mental em que o indivíduo usa suas competências e as ferramentas de uma organização para inovar dentro de uma estrutura que já está pronta”, explica Caio Bianchi, coordenador do Digital Business Lab e professor da pós-graduação da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Diante de um cenário corporativo cada vez mais competitivo, intraempreender pode possibilitar a criação de novas plataformas de crescimento, garantindo a perenidade da organização.

Para o professor, o modelo é vantajoso para as empresas. Afinal, elas passam a estimular a inovação dentro de casa — aproveitando os talentos e economizando com novas contratações. Os funcionários também saem ganhando, já que passam a ter subsídios para exercitar novas possibilidades e têm chances de incorporar novos ganhos.

Muitas companhias criam espaços colaborativos, como laboratórios e escritórios sem paredes, em que as ideias dos funcionários são testadas e, se aprovadas, podem passar a fazer parte do portfólio de produtos. Em contrapartida, existe a chance dos colaboradores serem premiados e até remunerados por isso.

O principal desafio do modelo de intraempreendedorismo é que as empresas tenham a capacidade de incorporar a inovação no planejamento do negócio que já existe. Ou seja, pensar no novo ao mesmo tempo em que precisam dar conta das tarefas básicas do dia a dia. “ Para resolver isso, os colaboradores devem ganhar mais autonomia e poder de decisão. As empresas passam a confiar mais nos funcionários e reduzem os processos hierárquicos” diz Caio, da ESPM.

Investir em inovação ajuda a atrair novos talentos

O intraempreendedorismo contribui para a transformação dos colaboradores em agentes de inovação. “Isso acelera os processos de uma companhia, que fica mais apta a entender o que o cliente e o mercado estão esperando dela”, explica o professor Heiko Spitzeck, gerente do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral. Em 2018, o núcleo lançou o Centro do Intraempreendedorismo, que busca desenvolver uma cultura intraempreendedora nas organizações. Representantes da BASF, Klüber Lubrication, Natura, Nestlé, Vedacit e VL! fizeram parte do primeiro grupo de estudos do centro, que participou de palestras, workshops e mentorias com foco em temas como identificação de intraempreendedores, aceleração de projetos e desenvolvimento organizacional.

Para Heiko, o intraempreendedorismo é uma ferramenta que chama a atenção de talentos. “Muitos profissionais, especialmente da geração Y (nascidos entre 1980 e 1990), procuram empresas que causem impacto e agreguem valor à sociedade. Estar em uma companhia que permite que o colaborador crie e participe das decisões pode ser considerada uma estratégia de atração”, diz o professor.

Além disso, a agilidade nas decisões é cada vez mais vital para as organizações. “Empresas com muitos processos decisórios funcionam cada vez menos. Precisamos de respostas rápidas e poder contar com a participação dos colaboradores nesses momentos só ajuda a criar um espaço mais assertivo”, defende Heiko.

Na sua empresa há práticas de estímulo à inovação? Quais são elas? Compartilhe com a gente!

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