Um dos efeitos colaterais da pandemia do novo coronavírus foi a necessidade de adotar o trabalho remoto por parte da equipe ou por até mesmo por todos os funcionários. Segundo especialistas, mesmo depois da normalização das atividades a tendência de anywhere office — expressão em inglês para escritório em qualquer lugar — permanecerá em alta.

A ideia é que os funcionários tenham a possibilidade de trabalhar fora do escritório sempre que for conveniente. O futuro das atividades corporativas será distribuído e híbrido: pessoas poderão trabalhar, ao mesmo tempo, a partir de casa, da praça, do café, de escritórios flexíveis e coworkings – espaços compartilhados, que oferecem redução de custos com estrutura física para empresas, localização estratégica e ambientes criativos.

Obviamente, esse formato não se enquadra para todas as profissões, mas grande parte dos trabalhadores podem atuar de forma não presencial na maior parte dos dias.
Por isso, uma questão ganha força neste contexto: a necessidade de cuidar da ergonomia. Afinal, como as empresas podem garantir os parâmetros para a boa condição de trabalho, partindo de uma adaptação às características físicas e psicológicas dos empregados uma vez que cada um trabalhará de um ponto diferente?

O que é ergonomia?

Ergonomia do trabalho é um conceito estabelecido através da norma regulamentadora nº 17, também conhecida como NR-17.
As companhias, independentemente do porte, devem realizar uma análise ergonômica do trabalho, também conhecida como AET, que leva em conta as condições de trabalho oferecidas.
Segundo o fisioterapeuta especializado em ergonomia no trabalho, Nicolás Abrantes, por uma questão de legislação as empresas devem oferecer conforto máximo ao exigir desempenho de seus funcionários.  “Isso inclui condições mínimas de segurança, como ambiente limpo, com ruídos controlados, assentos e telas em boas condições. Estamos falando desde uma cadeira que privilegie a postura correta até a orientação de movimentos em atividades que exigem repetição”, explica.

O especialista afirma que a questão da ergonomia vai ganhar outras necessidades com o conceito de trabalho de qualquer lugar, o anywhere office. Afinal, as empresas não terão controle total sobre o ambiente escolhido para o funcionário. “Muitas corporações, especialmente as maiores, realizam vistoria na casa dos trabalhadores que atuam de forma remota e algumas oferecem o material de escritório necessário para a adaptação, como mesa, luminárias e cadeiras. Mas a verdade é que esta é uma realidade distante da maioria das empresas”, afirma.

Ergonomia pode ser aliada da produtividade

É importante lembrar que as doenças do trabalho mais comuns acontecem a partir da exposição do trabalhador aos riscos ergonômicos, tais como levantamento de cargas pesadas, trabalhos realizados apenas em pé, esforço repetitivo e monotonia, sendo este último ligado ao psicológico do empregado.
“Estes fatores podem afetar a saúde física e mental do empregado. Por isso, é necessário que o empregador cuide da ergonomia de seus trabalhadores a fim de prevenir problemas de saúde e manter a boa produtividade em seu negócio”, diz Nicolás.

Em um momento onde as atividades estão sendo retomadas gradativamente e os recursos financeiros não são abundantes, o especialista defende que a comunicação é a melhor forma de ajudar os funcionários a garantir a saúde.
“Precisamos fazer as pessoas entenderem que a forma que elas se sentam, por exemplo, pode atrapalhar as atividades. Trabalhar do sofá ou da cama pode ser muito prejudicial no médio prazo”, alerta o especialista.
O conselho do fisioterapeuta é que os trabalhadores adaptem um canto da casa com mesa e cadeira especial para escritório, cuidem da postura e mantenha o pescoço alinhado, de forma que a coluna permaneça reta, os antebraços sempre apoiados, com os cotovelos próximos do tronco e bom espaçamento entre as pernas na posição sentada. “Levantar a cada hora, por poucos minutos, pode ajudar a evitar problemas no futuro”, diz.

Dicas de como garantir uma ergonomia em qualquer lugar de trabalho

Para auxiliar empresas e colaboradores, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) fornece várias diretrizes para ajudar na questão da ergonomia do trabalho. A seguir, você confere algumas das principais dicas.

  1. Procure um local sem uso, que não esteja no meio da passagem para outros cômodos e que ofereça privacidade e isolamento acústico.
  2. Escolha um ambiente com iluminação adequada, longe de reflexos e incidência de raios solares. Verifique o posicionamento da mesa e do monitor para que a luz natural não reflita diretamente na tela causando desconforto ou fadiga.
  3. Verifique o posicionamento dos mobiliários como cadeiras, mesas, monitores de vídeo e notebooks. A posição do monitor deve estar entre 50 a 70 cm da distância dos olhos. O ângulo de visão da tela do monitor deve ser 10 a 20°.
  4. Escolha um local que possua circulação natural de ar. Caso o ambiente escolhido não possua janelas ou esteja voltado para local com barulho externo, pode optar por uma ventilação artificial, como ventilador ou ar condicionado. O importante é possuir um conforto térmico, tornando o ambiente agradável.
  5. Estabeleça horário de trabalho: a rotina nas suas atividades, o horário de início e fim, bem como o horário das refeições, todos devem ser bem definidos.
  6. Organize o seu posto de trabalho, deixando apenas o material necessário para a realização das suas atividades.
  7. – Estabeleça pausas de 10 minutos a cada hora trabalhada, aproveite para fazer exercícios de alongamentos, tomar água e ir ao banheiro.
  8. No horário de descanso, procure fazer atividades que lhe deem prazer e ânimo.
  9. Cuide de suas necessidades básicas: mantenha rotinas regulares de sono, alimente-se bem e descanse sempre que possível.
  10. Oriente a família que estará em horário de trabalho e dessa forma não poderá ser interrompido.
  11. Evite interferências das redes sociais e internet em geral. Os acessos deverão ser realizados de forma moderada.

O Sebrae oferece informações específicas sobre ergonomia para cada ramo de atividade, por exemplo, para o setor de confecção existe um documento com importantes dicas. Consulte um profissional ergonomista ou fale com o Sebrae de sua cidade para obter orientação para seu tipo de negócio.

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