Hoje, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, conto a minha história como forma de levantar a bandeira ROSA do autoamor, autocuidado e autoestima.

Voltando um pouco os anos, eu estava tomando um banho e senti um caroço no seio. Achei estranho e em alguns dias me consultei com um médico. Ele falou que eu não precisava me preocupar, apenas acompanhar. Eu era jovem, saudável e não sabia que tinha uma mutação genética. Meses depois, começaram umas dores nas costas que não passavam e tornavam-se cada vez mais intensas. Fui ao ortopedista, e ele me passou uma ressonância da coluna… E assim, meu “Fevereiro Rosa” começou em 2014, com um diagnóstico de câncer de mama com metástases nos ossos e no fígado. O meu caso era grave, bem grave.

Eu tinha apenas 29 anos, estava trabalhando, namorando e com uma vida cheia de sonhos. Nunca imaginaria (ninguém imagina!) os tantos desafios que estavam por vir e todas as transformações e aprendizados que viriam com eles. Minha família não sabia se eu iria sobreviver, meu prognóstico era de 6 meses de vida, mas eu não tinha essa informação. A única coisa que eu sabia é que eu tinha que vencer e viver mais e mais! Confiei no meu médico, na ciência dos meus tratamentos e na minha fé inabalável.

Receber o diagnóstico de um câncer é muito difícil. A notícia traz muitas angústias, dúvidas e ansiedade sobre a nova vida que estará por vir. Para nós, mulheres, o câncer de mama é ainda mais desafiador. Mexe também com a nossa feminilidade e autoestima. Algumas pessoas precisam passar por certas situações para aprender, outras aprendem com a experiência dos outros. E é exatamente por isso que divido aqui a minha história. Por saber que, em algum lugar desse mundo, outra pessoa também passa por essa experiência e poderá aprender comigo. Ou então, e melhor ainda, que há alguém se inspirando na minha história para praticar o autoamor, através da prevenção e do cuidado consigo mesma.

Além disso, é preciso desmistificar muitos conceitos, como por exemplo, que é raro a mulher ter câncer de mama antes de 40 anos. Eu sou um exemplo, e minha irmã também, de que é preciso estar atento aos sinais e aprendermos sobre esse tema desde cedo. Sim, falei minha irmã! Ela também foi diagnosticada com câncer de mama 5 anos após o meu diagnóstico. No nosso caso, o câncer de mama é genético, o que representa apenas 10% a 15% dos casos. E isso é um alerta. O ideal é conhecermos o histórico de câncer da nossa família, e que essa informação seja passada de geração pra geração. Vejam, devido aos aprendizados com o meu caso, felizmente minha irmã descobriu ainda em fase inicial, fez mastectomia e segue em tratamento, porém curada.

Bem, comecei a minha primeira linha de tratamento no mês seguinte após o diagnóstico e esse durou um ano. Depois, fiz inúmeros protocolos de quimioterapia, radioterapia, radiocirurgia, hormonioterapia e consultas médicas. E entre resultados de exames bons e outros ruins, o tempo foi passando… e já se vão 7 anos! Mas não só de tratamentos se vive uma mulher com câncer de mama, viu? Teve também meu casamento, viagens, festas, treinos, gargalhadas, realizações e muito otimismo. Claro que tive medo muitas vezes…, mas nunca pensei em outra opção, senão enfrentar tudo isso e, cá entre nós, sentir medo e enfrentar nos traz um aprendizado GI-GAN-TE. Você aprende demais sobre suas fraquezas (e forças, claro!) e no final, tudo isso nos transforma!

Com essa transformação, percebi que tinha um propósito maior para a minha jornada, e através das redes sociais e da minha experiência, decidi fazer ações solidárias, participar de campanhas, dar palestras, e tentar atingir o máximo de pessoas possíveis com informações sobre a doença. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. Imaginem só quantas pessoas precisam ser munidas de informações, para que essa estatística diminua, e, para que a gente saiba conviver com a doença sob uma nova perspectiva de vida, quando somos avassalados por ela.

Falar sempre que possível sobre prevenção e autocuidado é muito importante. Um diagnóstico precoce salva muitas vidas. Quando descoberta no início, a doença tem 95% de chance de cura. Vários estudos têm confirmado a importância da mamografia e exames de imagem na redução de mortalidade pelo câncer de mama. O autoexame nas mamas apenas, não é o principal protetor, visto que muitas das vezes, quando conferimos algo errado pelo toque, a doença já pode não estar no estágio inicial. Precisamos estar mais atentos e todos deveriam ter igual acesso a exames, essa é a verdade. Se você tem, aproveite!

Além disso, hábitos saudáveis como: alimentação regrada, exercícios regulares, exames de rotina, controle de peso e de bebida alcoólica, cuidar das emoções e da mente, dormir bem e com um sono de qualidade são protetores. Uma má qualidade de vida acelera várias doenças físicas e mentais, dentre elas, o câncer. Os fatores ambientais somatizados ao longo da nossa vida representam de 80% a 90% dos casos. Ou seja, ter bons hábitos é uma necessidade urgente.

Lembre-se no “Outubro Rosa”, que todos os meses do ano são ROSA: cuidar da sua saúde é o maior gesto de amor que você pode ter consigo mesma.

Com carinho,

Anninha, do @fevereirorosa

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