Estresse, frustração, procrastinação, gastar dinheiro descontroladamente, medo excessivo, planejar e não realizar, vitimização e estagnação. Você conhece ou convive com essas sensações? Tudo isso pode ser autossabotagem

Quando a pessoa se boicota como um mecanismo de defesa. Ou seja, quando se sente em conflito, ao invés de se proteger, se prejudica

E claro, entram nessa dança, relacionamentos amorosos, amizades, vida social e, ainda, a carreira acadêmica e profissional. 

Por isso, o blog da Alelo convidou Jéssica Caiado, psicanalista e escritora, e Wimer Bottura, psiquiatra, psicoterapeuta, professor e compositor, para entender mais sobre autossabotagem. Vamos nessa?

O que é a autossabotagem?

Sabe quando você pensa em um projeto superlegal para a sua empresa, mas não consegue concretizar o seu objetivo por procrastinar ou colocar empecilhos demais? Esta é a famosa autossabotagem.

A autossabotagem é um termo do senso comum, usado popularmente para falar sobre uma ação que uma pessoa faz a si mesma e que pode prejudicá-la de alguma maneira […] É ela que impede de realizar as coisas que deseja”, começa explicando Jéssica Caiado. 

Wimer Bottura acrescenta: “A autossabotagem consiste no fato da pessoa, inconscientemente, fazer escolhas e ações que vão contra os seus desejos […] e que atendem a demandas do seu inconsciente […]  Pode atrapalhar muito não só o trabalho como a vida amorosa, na medida que existe a tendência de [sempre] fazer as piores escolhas”.

Quais são os tipos de autossabotagem?

A autossabotagem é resultado principalmente de emoções, de sentimentos e de crenças negativas que as pessoas têm sobre si mesmas. Segundo Jéssica Caiado, existem diferentes tipos que podem afetar os indivíduos. 

A psicanalista explica que em um primeiro cenário, acontece quando as pessoas se vitimizam demais e evitam qualquer mudança por “já terem sofrido e renunciado bastante” e não quererem enfrentar qualquer situação desagradável. 

Já um segundo, diz respeito àqueles sujeitos que “adoecem justamente quando alcançam o que gostariam, e quando realizam um desejo almejado e nutrido por muito tempo”.

Em último lugar, ela cita um terceiro tipo, quando as pessoas “sofrem de uma culpa opressiva” antes mesmo de efetuar uma determinada ação.

A autossabotagem no ambiente de trabalho

A autossabotagem na carreira está muito ligada ao segundo tipo, citado acima, “quando o sujeito faz de tudo para perder aquela posição que conquistou e que tanto desejava”, conta Jéssica.

Esse tipo de autossabotagem, “dos que fracassam quando triunfam”, conforme pontua a psicanalista, “satisfaz, de certa forma, um desejo de punição”. Assim, a pessoa “fracassa para anular essa vitória e permanecer nesse lugar mais confortável do ponto de vista psíquico”.

“Precisamos nos lembrar de que o desejo tem relação com a falta, desejo algo que imagino que me completasse, que me daria um sentimento de felicidade plena. Contudo, quando conseguimos conquistar algo que queremos muito realizar, não sabemos o que fazer com essa nova posição e com esse novo lugar”, afirma Jéssica. 

O terceiro tipo também pode ser relacionado à carreira profissional: “Há um excesso de sentimento de culpa que inviabiliza realizações na vida para, de alguma forma, se satisfazer com a culpa e se satisfazer desse lugar de impotência”.

A relação com a culpa é muito próxima, e as pessoas não conseguem viver sem esse sentimento. São pessoas que sofrem justamente por não conseguirem progredir naquilo que querem, no que esperam, mesmo depois de criar condições em seu percurso para que isso ocorra”, especifica. 

Por que as pessoas se sabotam?

Em geral, os indivíduos se sabotam por falta de autoestima, por medo do sucesso ou do fracasso, por conta de traumas anteriores, e por uma crença negativa muito forte de si mesmo.

De acordo com Wimer Bottura, a autossabotagem “surge para confirmar as crenças limitantes que a pessoa tem sobre si mesma”. 

“Podemos pensar [que é] como um conflito entre o que se deseja e os efeitos disso: escolher também envolve uma perda. Você perde um lugar para estar em outro. Mesmo que isso seja visto como uma conquista, [há a sensação de perda], pois é um novo lugar que visa apostas e não garantias”, completa Jéssica Caiado.

Como identificar a autossabotagem?

Algumas pessoas têm consciência de que estão se autossabotando. Outras, não. Para conseguir identificar se você está vivendo em um ciclo de sabotamento, é possível refletir sobre as seguintes questões:

  • Eu evito responsabilidades?
  • Tenho muitos pensamentos autodepreciativos?
  • Estou sempre me colocando para baixo em diálogos e interações sociais?
  • Tenho medo de alcançar uma posição profissional que sempre desejei?
  • Fico muito ansioso com o desconhecido?
  • Estou sempre aflito com o crescimento profissional?
  • Fico procrastinando minhas tarefas?
  • Não consigo realizar meus objetivos pessoais e profissionais por colocar muitos empecilhos?

Se você se identificou com alguns dos comportamentos listados, você pode estar enfrentando comportamentos sabotadores

O que fazer para parar de se boicotar?

Jéssica Caiado e Wimer Bottura explicam que a maneira de sair de um ciclo de autossabotagem é procurando a psicoterapia.

Os estudos sobre este assunto são preponderantes na psicologia e tratados em psicoterapias. A psiquiatria pura pouco tem a fazer sobre isto, a não ser medicar quando a pessoa entra em depressão ou tem crises de ansiedade decorrentes das frustrações repetidas”, fala Bottura.  

O médico psiquiatra alerta: “Para se livrar da autossabotagem, o melhor caminho é uma boa psicoterapia. É muito difícil alguém escapar do ciclo sozinho. E a busca solitária de resolução pode ser mais uma autossabotagem”.  

No livro “O Erro Nosso de Cada Dia”, escrito por Wimer Bottura, o médico aborda esse funcionamento humano de sempre repetir o mesmo erro. “Conhecer como erramos e quais os mecanismos envolvidos em nossos erros são bons meios de identificar e prevenir as autossabotagens, mas sempre, claro, acompanhados de uma boa terapia”, afirma. 

Para Jéssica Caiado, para parar de se boicotar, é preciso “endereçar esse sofrimento a alguém: um analista, que possa escutar esse sujeito do desejo, o seu inconsciente e as suas ambivalências”. 

Sempre priorize ajuda profissional!

Lembre-se de que você não está sozinho e há profissionais que podem ajudar nesse processo de rompimento do ciclo de autossabotagem

Como Jéssica Caiado e Wimer Bottura alertaram, o acompanhamento profissional é a melhor alternativa para parar de se boicotar. Portanto, priorize a psicoterapia sempre que possível e, caso necessário, também procure um psiquiatra.

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