Apenas a cidade de São Paulo realiza mais de 3 000 eventos corporativos todos os meses. De feiras grandes a seminários fechados, de palestras importantes a simpósios extremamente nichados. É impossível participar de todos — além de custar caro. Por isso, o segredo está em escolher um calendário estratégico e tentar ampliar o alcance do conhecimento adquirido nos eventos e treinamentos externos feitos pelos funcionários. Esta é uma saída para multiplicar investimento sem ter que gastar muito mais para capacitar sua empresa. A seguir, preparamos algumas dicas de como criar uma cultura colaborativa nas empresas.

Segundo Lilian Cidreira, CEO da Future Minds Consultoria, fundadora do RH Que Inspira e professora de Inovação e Gestão na ESPM-RJ, é financeiramente inviável que todos os funcionários frequentem feiras, palestras e congressos. Por isso, ela defende uma relação de aprendizagem contínua e colaborativa.

“Quando você tem um evento, a melhor forma para escolher quem vai representar a empresa é formatar um acordo prévio de retorno de conhecimento para a companhia”.

Depois que os selecionados acompanham os eventos — sejam eles de qualquer porte — os especialistas em recursos humanos dão dicas de como multiplicar o que foi absorvido. “Se a empresa tem intranet a pessoa pode fazer um vídeo caseiro simples, fazendo um resumo sobre quem estava lá, o que ela aprendeu e as principais transições do que aquilo se aplica no dia a dia da empresa”, diz Lilian.

Além disso, formatos mais tradicionais também podem ser usados. O colaborador pode dar um treinamento, webinário ou palestra para os outros funcionários, até mesmo por transmissões. A professora ainda diz “Isso tudo no caso das pessoas mais extrovertidas. Mas aqueles que são mais tímidos também podem escrever e isso e transformar em um documento formal para a biblioteca da empresa ou uma versão digital na intranet”.

Renato Bagnolesi, sócio da Fesa Group, consultoria de estratégia de capital humano, sugere a criação de fóruns e agendas específicas de compartilhamento. “Escrever no mural ou mesmo no sistema interno da empresa, usar ferramentas de comunicação interna, como o Facebook Workplace, e às vezes, um simples e-mail pode ajudar”.

Para ele o importante é estimular sempre uma cultura de compartilhamento de conhecimento, deixando claro como isso impacta na organização e quais os benefícios que esta agenda pode trazer. “Se a empresa não tiver cultura de disseminar conhecimento, dificilmente essa agenda progride”, afirma.

Segundo Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, consultoria de recrutamento, o papel de estimular a multiplicação de conhecimento, em geral, é dos líderes de cada área. Para ele “É importante que os gestores das áreas sejam engajados e saibam disseminar o conhecimento. O relacionamento próximo e transparente do líder com o seu time é o principal ponto de incentivo para o compartilhamento de ideias”.

Ainda que a empresa não tenha uma estrutura que propicie esse compartilhamento de maneira estruturada em canais oficiais, Rodrigo afirma que a tecnologia pode auxiliar em um primeiro momento. “Os grupos de Whatsapp do trabalho podem ser muito úteis quando usados de forma eficiente, por exemplo. É uma plataforma que permite o compartilhamento de diversas mídias, de textos a áudios e vídeos. Além disso, é uma forma de centralizar todos em uma mesma página, o que permite a discussão de ideias”, finaliza.