A pandemia do coronavírus transformou não somente os nossos hábitos e costumes como também nosso comportamento de consumo. Além de comprar mais pela internet, uma nova tendência vem se consolidando no país: o brasileiro tem comprado produtos mais baratos e de marcas próprias. Em abril de 2020, as vendas desses artigos aumentaram mais de 32%. Segundo matéria do jornal Valor Econômico, “até o consumidor com mais poder de compra está optando pelas marcas próprias durante a pandemia”.

Marca própria é aquela fabricada pela rede varejista, podendo ou não levar o nome do grupo ao qual pertence. Os artigos mais conhecidos são os dos supermercados, mas esse segmento está presente desde material de construção até as barrinhas de cereais e chás naturais. A crise econômica fez com que esses produtos ganhassem lugar na dispensa de 32 milhões de brasileiros e a expectativa é que o setor cresça aproximadamente 21% até o final deste ano, de acordo com a Associação Brasileia de Marcas Próprias e Terceirização (ABMAPRO).

Essas mercadorias trazem melhor custo-benefício para o consumidor, já que os produtos são em média 30% mais baratos. No setor de alimentação, a diferença de preço pode chegar a 40%.  Apesar da participação no mercado ainda ser modesta, em torno de 1% a 5%, essas linhas devem movimentar mais de R$ 8 bilhões até o final do ano, segundo a ABMAPRO.

Itens como arroz, embutidos, papel higiênico e água sanitária ganharam a preferência dos consumidores. Entre os de baixa renda, aproximadamente 40% mudaram para os itens de menor preço. O movimento também foi observado no consumidor de maior poder aquisitivo, que passou a buscar marcas mais baratas nos setores de comida, bebida, higiene e limpeza. Produtos de limpeza, por exemplo, cresceram de 11% para 28%, mostrando que eles são a porta de entrada dos varejistas para os consumidores.

Estabelecimentos e consumidores apostam nessa tendência

Acompanhando essa tendência do mercado, grupos como Pão de Açúcar já cogitam criar um supermercado destinado a vender exclusivamente suas marcas próprias. Isso porque vender os próprios produtos permite não só um aumento na margem de lucro como também a possibilidade de atuar em um novo negócio.

Entre as vantagens de comercializar essas linhas estão: a fidelização do cliente, maior lucratividade para a empresa, mais competitividade e maior independência na hora de precificar o produto.

Se você deseja atuar nesse segmento, é importante entender o mercado no qual vai investir e conhecer muito bem o seu público-alvo. Como praticamente não existe a figura do intermediário, a rentabilidade é maior, mas isso não significa que os varejistas não terão que investir energia, capital e inovação para fidelizar os clientes. Afinal, essas linhas precisam criar diferenciais para disputar com os gigantes das indústrias. Apesar de não competir com as internacionais, as marcas próprias precisam aplicar recursos em novas tecnologias e ativos para suprirem a demanda do mercado, como no caso dos produtos orgânicos, naturais e saudáveis nos quais o consumidor até aceita pagar mais pelo benefício que traz à saúde. Nesse caso, o foco não é no valor, mas na qualidade do produto que ele entrega.

A pandemia impulsionou o segmento

A partir da pandemia de coronavírus, a relação dos clientes com os produtos também foi mudando e itens como álcool em gel, máscaras e antibacterianos passaram a entrar na lista dos produtos essenciais de marcas próprias, ganhando espaço nos carrinhos de supermercado e nas cestas de farmácias, lojas de conveniências e e-commerce. A internet também se tornou o lugar por excelência das vendas dessas mercadorias.

A Rede Dia, por exemplo, fez parceria com um aplicativo de delivery para oferecer seus produtos no canal digital. Em entrevista ao Mercado de Consumo, o presidente da Rede no Brasil, Marcelo Maia, aponta que as lojas que aderiram a esse modelo, aumentaram em 50% o número das vendas. “Apesar de sermos uma loja de proximidades, sabíamos que alguns consumidores não gostariam de sair de suas casas”. O resultado? Agora, a rede está focada em usar as lojas como pequenos centros de distribuição para o e-commerce.

Você deve estar se perguntando: como tornar essas marcas conhecidas para o grande público?

Uma boa dica é desenvolver produtos diferenciados e embalagens atraentes para chamar a atenção dos clientes nos pontos de vendas, já que praticamente não há investimento em publicidade e mídia. Outras estratégias devem ser usadas para apresentar os artigos aos consumidores. Procure promover a experimentação dos produtos no local e dar destaque aos produtos nas prateleiras. Cartazes e banners evidenciando o valor ajudam a comparar os preços com os concorrentes.

Os especialistas afirmam que também é preciso se atentar a oferta e a procura das mercadorias pela ótica do consumidor e, assim, ocupar categorias e segmentos que têm uma lacuna de preço ou de qualidade. Por isso, dê ouvido às reclamações dos clientes, entenda o que eles desejam e estão dispostos a comprar.  Estar próximo deles é fundamental para incrementar as vendas e consolidar sua marca no mercado. Se ele gostar do seu produto, vai voltar. E a grande diferença nesse caso é que ele só encontrará esse item no seu estabelecimento.

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