O desenvolvimento da carreira depende de diversos fatores, mas principalmente disposição para evoluir e trabalhar as habilidades necessárias. Para isso, algumas ferramentas são capazes de ajudar a guiar esse caminho com mais profissionalismo e eficiência, como é o caso da mentoria.
Para começo de conversa, vale explicar o que é mentoria, já que o termo pode ser confundido com outras ferramentas de desenvolvimento humano. “O mentor é sempre uma pessoa mais experiente, que vai ajudá-lo trazendo provocações sobre alguma situação que o mentorado está vivenciando ou precisa desenvolver”, explica Letícia Rodrigues, sócia-fundadora da Tree Diversidade.
A especialista em desenvolvimento humano complementa, trazendo conceitos que costumam ser confundidos. “É diferente do papel do coach, que vai trabalhar algumas competências específicas no processo de coaching de carreira. E ainda é diferente do trabalho de um terapeuta, que vai acompanhar questões psicológicas”, aponta.
Logo, a primeira dica sobre como escolher um mentor para a sua carreira é buscar um profissional experiente, com bagagem suficiente para ajudá-lo com questões que ele possivelmente já vivenciou. “A ideia é que o mentor sempre trabalha na experiência. Ele já passou por uma série de processos, é mais experiente naquele segmento específico”, detalha Matheus Jacob, especialista em comunicação e liderança, e autor do livro Coragem de Existir (Buzz Editora).
Ainda assim, a escolha de um mentor para a sua carreira não deve estar baseada na questão etária. “Isso não está relacionado nem especificamente à idade – eu, por exemplo, sou mentor de inovação de alguns CEOs muito mais velhos e experientes do que eu na área de atuação deles, mas eu trago uma mentoria específica na área de comunicação e inovação, que é a área na qual eu tenho mais experiência. O mentor, com toda essa experiência, antecipa uma curva de aprendizagem do mentorado por meio do direcionamento, algo que talvez demoraria anos para acontecer”, exemplifica Jacob.

Como a mentoria pode ajudar a sua carreira

Nem só de bons exemplos trabalha um mentor. Muitas vezes ele pode ter vivenciado um problema, que hoje traz ferramentas para que o mentorado possa agir de forma diferente. “Muitas vezes o mentor traz experiências que não foram boas, para que ele se baseie e pense em uma nova solução para o mesmo problema”, conta Letícia.
Outro ponto a ser destacado é que o mentor não precisa necessariamente ser da mesma área para que possa trazer insights interessantes. É importante que esse mentor tenha experiência e características relevantes. “Por exemplo, se o mentorado vai passar por uma mudança de país, é importante contar com um mentor que já passou por isso. Que já foi transferido, já vivenciou outra cultura no ambiente organizacional”, pontua a especialista. Ou seja, mais importante do que a formação, é a bagagem que esse profissional carrega e que pode ser valiosa para quem recebe a orientação.

Roteiro para mentoria é importante

Embora existam empresas que oferecem programas de mentoria para executivos e companhias, a mentoria informal é uma prática que pode ser adotada por qualquer profissional. “Para encontrar um mentor, é mais importante prestar atenção nas experiências que você precisa desenvolver do que na área de atuação dele. O mentor não precisa ser o símbolo do profissional bem-sucedido, até porque isso é relativo, mas precisa ter experiência e bagagem no campo que você quer desenvolver”, comenta Letícia.
Outro ponto fundamental é estruturar uma rotina de encontros, para que a mentoria seja efetiva. “A dinâmica depende muito da relação entre os dois. Pode ser uma relação mensal ou trimestral, mas a ideia é que o mentorado traga sempre reflexões sobre o que ele está passando, sobre os processos que ele tem tido como desafio e o mentor traz provocações e ajuda o mentorado a pensar em estratégias para ele seguir depois. É um processo menos instrumental do que o coach, que faz uma série de exercícios específicos. É um método muito mais onde ele deixa para o mentorado algumas tarefas para ele fazer e depois trazer de volta”, explica Jacob.
Seja dentro da organização que você trabalha ou ainda nas redes de relacionamento, como o LinkedIn, o ideal é buscar um profissional que você respeite. “Na hora de escolher um mentor é importante ser alguém que você admira dentro da organização, por exemplo. É preciso admirar e ter empatia pelo mentorado também”, comenta Letícia.
Sempre haverá uma primeira vez, então essa pode ser a oportunidade de um profissional experimentar como é mentorar alguém. “Mentores de primeira viagem podem exercer esse papel de uma forma muito boa. Alguns roteiros devem ser seguidos, mas existem formações para quem pretende ser um mentor profissional”, conta a especialista.
Para identificar esse mentor, algumas dicas são importantes. “Se eu quero um mentor de comunicação ou negócios preciso encontrar uma pessoa que tem atuação nessa área”. – Matheus Jacob comenta sobre a própria experiência e completa: “Eu, por exemplo, tenho uma mentora que é responsável pelos treinamentos de liderança na Universidade de Chicago nos Estados Unidos. Ela tem uma empresa como a minha, é uma pessoa que eu acabo me espelhando e tendo essa relação com ela. Em resumo, busque pessoas que você admire como profissional, como pessoa e que tenha uma experiência e uma comunicação muito clara na área que você quer desenvolver”, comenta.
Por fim, qualquer pessoa pode ser um mentor? Segundo Jacob, teoricamente, sim, já que não existe uma regulamentação para mentoria propriamente dita. “Mas isso não significa que todo profissional tenha essa visão estratégica e altruísta de suas habilidades para ajudar o mentorado”, diz. Letícia segue na mesma direção e destaca que empatia e comprometimento são fundamentais para a mentoria dar certo.

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