O ano de 2020 começou de forma habitual para a área de recursos humanos das empresas: organização de calendário, planejamento de treinamentos, controle de quadro de colaboradores e definição de metas dos times. Mas em março, a pandemia do novo coronavírus acertou em cheio todo os planos corporativos e o RH – assim como as demais áreas das empresas – precisou rever a estratégia.

Os gestores de recursos humanos precisaram começar a gerir as pessoas durante uma transformação veloz do mercado de trabalho, sem tempo para muito planejamento. Mais do que rever contratos, buscar alternativas de vendas e reforçar a área de tecnologia, os profissionais de RH lidam com os indivíduos que compõem as empresas, e garantem o bem-estar e engajamento dos profissionais.

Por isso, os gestores do departamento pessoal e recursos humanos ganharam um papel ainda mais importante em tempos de crise e o dia do RH, comemorado em 3 de junho, passa a ter um sentido mais especial. 

De onde surgiu o dia do RH

A data instituída em 1976 lembra a fundação da WFPMA (World Federation of People Management Associations), organização que representa mais de 700.000 profissionais de gestão de pessoas no mundo, e passou a ser usada para homenagear o gestor de Recursos Humanos, que têm como função alinhar estratégia, conscientizar e motivar os funcionários em torno dos objetivos da empresa. Ou seja, o RH cuida de gente. 

Justamente por isso, esses profissionais merecem uma homenagem em tempos de coronavírus. Por seu papel vital nas organizações em rever estratégias, práticas e modelos de trabalho para que fosse possível seguir com os negócios e, claro, cuidar do seu capital humano. 

Coube ao RH pensar em como garantir a saúde mental dos profissionais, coordenar as mudanças de forma de trabalho e já começar pensar em como tudo ficará depois da pandemia.

Um pouso forçado

A questão do home-office já é discutida entre as corporações há muitos anos, mas poucas empresas tinham políticas consolidadas para estimular a prática. Com a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de isolamento social, houve um pouso forçado no assunto.

O cenário de crise desafiou profissionais do RH a lidarem com uma mudança importante: o home office imediato para todos os profissionais que podem executar suas tarefas de forma remota.

Coube a equipe de RH pensar em como fazer que colaboradores que nunca haviam trabalhado em sistema remoto aderissem à prática, da noite para o dia, readequando suas funções e aprendendo a produzir a partir de seus lares. Um verdadeiro desafio para as empresas, equipes e para os gestores de RH. 

Com esse novo modelo de trabalho, os profissionais de recursos humanos passaram a lidar com diversas outras questões: como garantir que os funcionários estejam trabalhando dentro de suas cargas horárias e medir suas horas extras? E para aqueles que realmente necessitam estar fisicamente em suas rotinas de trabalho, o que podemos fazer para protegê-los? 

Tudo isso levando em conta questões como saúde, produtividade, engajamento, adequações jurídicas e participação ativa em frentes de desenvolvimento de tecnologia. Ou seja, o profissional de RH ampliou seu escopo “multitarefa”.

Protagonismo do RH na pandemia

Uma pesquisa da Kenoby, software de recrutamento e seleção, com 1.300 diretores, gerentes, coordenadores e assistentes de RH mapeou essa nova forma de trabalho à distância e as relações entre as pessoas. 

O levantamento, realizado entre os meses de março e abril deste ano, apontou que 49% dos colaboradores das empresas ouvidas tem parte dos funcionários trabalhando remotamente, 42% com toda equipe trabalhando de casa e 9% ainda não trabalham à distância. 

Quando perguntados se a empresa já havia formulado a política de home office antes da crise, 57% responderam que não, 38% sim para algumas áreas e 5% sim para toda empresa. 

Confira a seguir o que os RHs estão fazendo para amenizar as dificuldades deste momento de enfrentamento ao novo coronavírus:

Na Alelo, o time de Gente organizou, dentre um amplo leque de ações inéditas, eventos quinzenais temáticos, mesclando comunicações da empresa com convidados para falarem sobre assuntos como empatia, saúde mental, felicidade e quase todas as lives tiveram adesão de 100% do quadro de colaboradores em atividade.

A empresa Implementou ainda pesquisas pulse, rápidas e frequentes, para entender o momento dos colaboradores e mapear outras ações. Além disso, manteve as iniciativas de engajamento como a comemoração do Dia da Família, com desafios on-line do “Viva Sua Família”, para colaboradores e seus familiares.

A Deloitte treinou toda a equipe para trabalhar de forma remota. O RH se preocupou em proteger os funcionários até que toda estrutura de tecnologia fosse implantada e o primeiro grupo a fazer home office foi o de gestantes e lactantes, imunossuprimidos, doentes crônicos e colaboradores com familiares com restrições.

Além disso, o RH coordena a produção de webinares (eventos em formato digital) e disponibiliza conteúdos que contribuem para a compreensão e preparação diante dos impactos do Covid-19 em relação a uma série de aspectos: da economia e negócios à gestão financeira, do cuidado com as pessoas aos riscos estratégicos. 

No Grupo Heineken, o RH criou uma força-tarefa e uma série de ações, como o cancelamento dos eventos de marcas, adoção do trabalho remoto para áreas elegíveis, intensificação do uso da tecnologia para diferentes atividades, reforço das medidas de higiene, suspensão de viagens e disponibilização de um canal exclusivo de Saúde Corporativa para orientação e atendimento aos 13 mil colaboradores e também seus familiares. 

Já no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o RH teve de se preocupar com a aceleração do processo de contratação de técnicos e enfermeiros, que já estava em andamento antes da pandemia, devido ao processo de expansão da sua Unidade Vergueiro (SP). Além disso, o RH organizou uma flexibilização de horários para evitar a utilização de transporte público nos momentos de pico e o Programa Saúde Integral – um espaço de atendimento médico, psicológico, serviço social, nutricional, entre outros, como suporte direto ao colaborador e seus familiares

Na Stefanini, o RH apostou na plataforma de Inteligência Artificial Sophie para informar os colaboradores sobre a COVID-19, principais sintomas, como as pessoas devem se prevenir e como a companhia está atuando no momento de cautela. 

As empresas de terceirização de mão de obra e serviços gerais, dentre outras funções, também adotaram medidas por conta do coronavírus. A maior parte delas implantou processo remoto de entrevistas.

A Randstad, líder global em solução de recursos humanos, adotou medidas preventivas como a realização das entrevistas por meio de chamada de vídeo em tempo real, levando em conta a proteção de dados e saúde de candidatos e consultores.

“Acreditamos o processo digital é uma medida necessária para o momento que enfrentamos no país para garantir o bem-estar dos nossos colaboradores e candidatos”, explica Maria Luiza Nascimento, diretora de recursos humanos da Randstad.

Comprometimento do RH em tempos de crise

Além disso, muitas empresas se comprometeram a não demitir enquanto a pandemia durar. O Itaú, por exemplo, anunciou a suspensão por tempo indeterminado de todas as demissões sem justa causa entre os 94 mil funcionários do banco e antecipou o pagamento do 13º salário integral.

Empresas como Cozan, Santander, Natura e Renner também prometeram não reduzir o quadro de colaboradores, a não ser em casos de justa causa. E ainda que algumas empresas não tenham conseguido conter as demissões, muitas apostaram em recursos como redução de jornada e de salário, adiantamento de férias e banco de horas, por exemplo.

Uma integração em meio à crise

Na outra ponta, estão as companhias que precisam contratar. Alguns RHs também se viram diante da necessidade de reinventar a forma de integrar novos funcionários. Companhias como Nubank inovaram nas boas-vindas. A empresa adaptou o kit e, além de mimos como camiseta e caneca, incluiu tudo o que a pessoa precisa para trabalhar de casa, como computador e adaptadores e fez um passo a passo de como ela poderia configurar a máquina sozinha. Além disso, todo o processo de apresentação da companhia foi feito de forma remota. 

Pela primeira vez, a Via Varejo também conduziu as boas-vindas aos novos colaboradores de forma totalmente online. A companhia criou um processo online com aproximadamente duas horas de duração em que mostra um panorama de sua cultura empresarial e faz apresentações ao vivo com possibilidade de interação dos participantes.

Ao que tudo indica, esse período acelerou a evolução e está trazendo novas oportunidades de aprendizados. Mais do que nunca, o RH será essencial para coordenar as mudanças, que parecem ter vindo para ficar. 

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