Além de frentes como revisão de contas básicas e negociação no aluguel, seguros são opções para poupar caixa e ajudam até mesmo na recuperação de crédito.

Dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados em julho, apontam que 1,3 milhão de empresas brasileiras estavam com atividades suspensas ou encerradas no país. Deste total, 522 mil disseram que os efeitos da pandemia motivaram a decisão. A probabilidade é que este número seja ainda maior quando os dados forem atualizados.
Por isso, pensar em estratégias financeiras que permitam reduzir custos e protejam a continuidade do negócio são passos essenciais para o momento de pós-pandemia. Segundo especialistas, a primeira etapa é calcular qual percentual da receita foi perdido e o que é prioritário para a companhia. Depois, é necessário verificar qual o valor se tem como reserva financeira, e estimar quanto irá durar nas atuais condições, para traçar planos e gastos. Para quem não tem reservas, vale traçar os melhores caminhos para proteger o patrimônio atual, avaliar como tomar crédito, quanto será necessário e quais as melhores condições oferecidas no mercado.
Frentes como aluguel, pacotes de dados e até mesmo a revisão das contas básicas podem colaborar para reduzir os gastos neste momento de início gradual de retomada. Além disso, os seguros podem ser importantes aliados para minimizar perdas que podem até inviabilizar o negócio. Confira dicas de especialistas a seguir:

 Seguros podem ajudar a economizar e ainda ser fonte de recursos

Contar com uma proteção do patrimônio construído é essencial para todas as companhias, mas em tempos de pandemia, os seguros passam a ser aliados ainda mais importantes dos empresários. Além das coberturas tradicionais, como de patrimônio e de saúde, outras vertentes ganham destaque.
Segundo Emerson Barbosa, diretor da Baroli Corretora de Seguros, a contratação de seguro de vida teve um salto importante visando preservar a capacidade financeira e o futuro das famílias. Além disso, os seguros de responsabilidade civil ganham relevância nessa nova fase. “Trata-se de seguros fundamentais para sobrevivência dos negócios e para a preservação da capacidade financeira das empresas em casos de imprevistos na realização de serviços. São coberturas que respaldam desde profissionais autônomos como advogados e médicos, até empresas de todos os portes e ajudam a amenizar possíveis danos que podem inviabilizar uma operação”, diz.
Outra modalidade que pode ajudar os empresários neste momento é o seguro garantia de depósito recursal. Com essa modalidade, além de economizar em momentos desafiadores, os empresários podem recuperar dinheiro já investido. Funciona assim: em março deste ano o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) liberou a substituição dos depósitos recursais em dinheiro por seguro garantia para que as empresas possam reforçar o caixa. “Na prática, uma ação de R$ 10 mil que pode levar anos para ser selecionada pode ser paga com uma apólice que custa R$ 300 ou R$ 400. A empresa deixa de usar caixa para esse fim e pode direcionar os recursos para a expansão do negócio”, diz Barbosa.
Também entendendo o cenário complicado, o CNJ autorizou que as companhias que estão com ações trabalhistas em andamento e já depositaram quantias ao longo dos anos podem reaver esses valores ao contratar o seguro garantia para este fim. Desta forma é feita uma substituição dos valores pela apólice.
A estimativa do CNJ é que R$ 65 bilhões em recursos já depositados por empresas brasileiras que ainda aguardam os trâmites de processos trabalhistas possam ser revistos com o uso do seguro garantia de depósito recursal. “Enquanto espera o desenrolar do processo, a companhia tem acesso ao valor e pode utilizar para fluxo de caixa em momentos mais desafiadores. Tudo isso sem perder a segurança jurídica”, explica Barbosa.

Reavaliação do uso de dados em tempos de home office

Como muitas empresas ainda estão em regime home office, pode ser que o pacote de dados na sede física esteja além do necessário. É importante verificar as necessidades e negociar com as operadoras. Os contratos de empresas (B2B) tem sido avaliado caso a caso e algumas prestadoras de serviço do segmento flexibilizaram o prazo para desligamento das linhas e de serviços em casos de inadimplência, permitindo o funcionamento por mais tempo. Geralmente, em planos para cliente B2B não há carência no contrato e as alterações de pacotes podem ser feitas a qualquer momento.

Contas básicas requerem controle para ser fonte de economia

Gastos básicos como água, luz e gás fazem parte das despesas fixas de todas as empresas. Por conta da pandemia, algumas concessionárias suspenderam cobranças ou reduziram os valores por alguns meses, contudo a situação já está se normalizando e os empresários estão sem muita saída na hora de acertar os pagamentos.
O cuidado agora é com as cobranças incorretas, uma vez que na maioria dos casos o consumo das sedes diminuiu por conta da queda nas operações e pelo afastamento dos funcionários. Especialistas alertam para cobranças acima do valor médio, por conta de dificuldades de aferição presencial, e recomendam que as empresas fiquem alertas para contestar qualquer valor fora da média. A ouvidoria das prestadoras de serviço e até mesmo instituições de defesa do consumidor devem ser notificadas em caso de cobranças indevidas.

Sua sede ainda faz sentido? É hora de negociar

Ao se sentir impactado pela crise, o melhor a fazer é negociar com o locador uma revisão do valor do aluguel para garantir a sobrevivência do negócio. Segundo o artigo 18 da Lei do Inquilinato é possível a qualquer momento, em comum acordo, um novo valor do aluguel, inclusive modificando a cláusula de reajuste anual.
Desta forma, empresário e locatário podem acordar, por exemplo, a concessão de desconto no aluguel, por prazo determinado. Uma outra saída é ajustar um desconto com prorrogação do pagamento do valor para período posterior.
Além disso, pode ser a hora de rever a real necessidade de manter a sede da empresa, quando a atividade permite isso. Afinal, se grande parte dos funcionários estiver realizando trabalho remoto, os espaços de trabalho compartilhado, chamados coworkings, podem atender a necessidade de encontros presenciais esporádicos e ajudar a minimizar de forma relevante os gastos fixos.

Hora de negociar tarifas bancárias e empréstimos

A palavra de ordem do momento é negociação. Para as empresas que têm financiamentos e dívidas a pagar, prorrogar as parcelas por 60 dias ou 90 dias e ficar sem pagar os valores nesse período pode ser um meio de ganhar fôlego financeiro. Inúmeras instituições estão realizando essa manobra. O importante é lembrar que os juros nessa pausa não deixam de correr e a alternativa tem custo no médio prazo.
Por isso, uma outra opção é tentar portar a dívida para outros bancos que paguem juros menores ou optar por outra modalidade de crédito mais acessível. Ainda nesse contexto, essa pode ser uma boa hora de negociar tarifas bancárias, uma vez que os bancos estão inseridos no dia a dia dos empresários e não querem perder clientes.

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