Sem tempo para ler? Clique no play para ouvir a matéria: “Gestão de Frota pós-pandemia: pesquisa mapeia tendências”

Além da crise sanitária, a pandemia do novo coronavírus trouxe incertezas para a economia. Planejamentos e estratégias precisaram ser revistos de uma hora para outra e muitos negócios foram impactados com a nova realidade. Preocupados com a Gestão de Frota Pós-pandemia, o setor se uniu para realizar uma pesquisa e antecipar tendências, compreendendo as novas regras do jogo.

Para entender quais os efeitos deste cenário, diversas associações mundiais de mobilidade, como NAFA, Global Fleet, Fleet Europe, Fleet Latam, Smartmobility e Instituto Parar se uniram para a aplicação da pesquisa  “COVID-19 – The Worldwide Impact on Fleet & Mobility” (em tradução livre, “COVID-19 – O impacto global em Frotas & Mobilidade”).

Cerca de 600 gestores de frotas e players do setor automotivo (41% compradores e 59% fornecedores) de mais de 38 países responderam à pesquisa. Deste universo, a participação do Brasil foi uma das mais expressivas, com 160 respondentes. Sendo assim, os dados revelados pela pesquisa são de extrema importância para o cenário de frotas brasileiro.  

Mesmo com a pandemia, a maior parte dos profissionais afirmou que a jornada de trabalho não foi alterada e seguem com as atividades cinco dias por semana. “O setor de frotas não para, pois lida com setores essenciais, como alimentício e farmacêutico. Apesar da pandemia, o abastecimento não foi impactado no Brasil”, diz Mariana Lo Turco, responsável pela comunicação do Instituto Parar.

Segundo ela, houve uma adaptação no esquema de trabalho. Há relatos de trabalho remoto, de aumento de exigência com as questões sanitárias e até na adaptação de modal de transporte. “Uma empresa passou a fazer transporte por navios e até em drones para levar testes de laboratório da Covid-19 para regiões da Amazônia onde os carros não chegam. É um esforço coletivo”, diz Mariana.

Mas a verdade é que o baque econômico atingiu as empresas em cheio. Entre os fornecedores, 75% disseram que tiveram um grande impacto na receita desde o começo do isolamento social, já para os compradores o percentual foi de 57%.

Um desses exemplos é a empresa de segurança Emive, de Belo Horizonte. Para Harlen Braga, gerente de operações na companhia, a queda na demanda foi expressiva. “Foi preciso nos reorganizar e criar uma nova estratégia de atendimento. Os funcionários internos foram trabalhar de casa e quem precisava seguir com os atendimentos presenciais era buscado em casa com nossa frota, orientado e equipado com itens de proteção como pantufas, luvas, máscaras e álcool gel”, conta.

Entre os pontos positivos deste momento, Harlen destaca a queda no preço dos combustíveis e a redução do trânsito. “Conseguimos ter mais eficiência e agilidade nos chamados, por exemplo. Agora estamos começando a ver uma ligeira retomada”, diz.

Como reinventar o negócio de frotas?

A maior preocupação dos gestores ouvidos pela pesquisa é sobre como reinventar o negócio depois das mudanças causadas pelo Covid-19. Uma das alternativas é a locação de frotas. Para 42% dos entrevistados, a intenção é parar de ampliar a frota própria.

Segundo Mariana, o Brasil ainda é atrasado em relação ao conceito de terceirização da frota. “Ainda temos a cultura da posse de veículos muito forte. Enquanto mercados como Estados Unidos e Europa têm uma visão diferente”, explica.

Para ela, essa pode ser uma oportunidade para as empresas brasileiras começarem a avançar no assunto e 17% dos entrevistados afirmam que podem vender seus veículos. “Desfazer da frota própria é uma forma de conseguir fluxo de caixa em um momento de dificuldades. Isso pode se tornar uma tendência por aqui”, avalia.

Outro ponto verificado pelo estudo é sobre a necessidade de inovação para articular uma recuperação. A tecnologia é peça-chave para a virada de jogo. Para 34% dos entrevistados, soluções de inteligência artificial e mobilidade inteligente devem ganhar destaque, ao passo em que 29% apostam em telemática.

Os gestores também esperam mais participação dos fornecedores neste momento de mudanças: 64% querem mais serviços de consultoria, 52% aguardam propostas de inovações e 50% gostariam de melhorar a comunicação com os parceiros comerciais. Além disso, os custos também são um ponto importante e 44% esperam preços mais competitivos.

Hora da especialização

Além do mais, os respondentes concordam que é hora de estudar. Para 58% dos compradores a especialização dos profissionais é uma das respostas para a crise, enquanto 51% dos fornecedores pensam a mesma coisa.

“Notamos um aumento do interesse dos gestores em aproveitar esse período para se especializar sobre questões de mobilidade”, diz Mariana. O Instituto Parar disponibiliza cursos, webinars e outros conteúdos digitais. A gestão de frota pós-pandemia vai ser impactada diretamente por aqueles que se preparam melhor, inclusive durante a fase de quarentena.

As tendências do mercado de mobilidade

Outra tendência apontada pela pesquisa é a redução do incentivo de mobilidade compartilhada e 24% dos respondentes acreditam que essa vertente perde força em um momento de recomendação de distanciamento social.

A aposta em eletrificação de veículos também entra na berlinda no curto prazo. A tecnologia que ganhava destaque entre os gestores foi deixada em segundo plano por 50% dos respondentes, já que a ordem do dia é reduzir custos e investimentos. Em contrapartida, 17% garantem que vão intensificar ações neste sentido como forma de se diferenciar dos concorrentes.

Para 93% dos fornecedores que responderam à pesquisa, o trabalho remoto é a principal tendência do setor. Para 68%, o uso de bicicletas deve ganhar força, 50% acham que os carros compartilhados serão evitados e 62% acreditam que o transporte público deve ter queda no uso nos próximos meses.

Gestão de Frota Pós-Pandemia: Um certo otimismo no ar

Apesar dos problemas causados pela pandemia, os respondentes acreditam que o cenário será superado no médio prazo. Para 61% dos compradores, a crise será superada até o primeiro quadrimestre de 2021. E 56% dos fornecedores pensam o mesmo.

Além disso, mais de 90% dos respondentes acham que a empresa vai superar essa crise e 63% não acreditam que o emprego está em risco. “Ainda que seja cedo pensar em recuperação, o setor está confiante que ela virá e busca ferramentas para agilizar esse processo”, finaliza Mariana.

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