Passados mais de 100 dias de quarentena no Brasil, a retomada das atividades nas grandes cidades vai acontecendo com certas medidas de segurança. Em termos de mobilidade, é preciso redobrar os cuidados na hora de embarcar nos constantes fluxos de transporte público.

Estudos e iniciativas de prevenção contra o novo coronavírus na hora de sair de casa

De acordo com um estudo sobre Covid-19 e mobilidade urbana, apresentado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), durante esse momento pelo qual estamos passando nem todos os usuários de transporte público podem trabalhar remotamente ou possuem veículo próprio para se locomoverem quando necessário. “Ainda, para que parte da população possa cumprir as medidas de isolamento social e ficar em casa, muitos outros precisam continuar trabalhando (…) para garantir que a rede funcione”, pontua a pesquisa.

Houve uma queda de demanda no transporte público, e consequentemente de receita econômica, em especial nos ônibus, em praticamente todas as grandes cidades brasileiras. A maior taxa foi em Goiânia, com 84% de redução. A Associação Nacional de Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) registrou queda de demanda de 82% na utilização de metrôs e trens.

No início de junho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou uma resolução de enfrentamento da pandemia, pontuando todas as medidas sanitárias que devem se fazer presentes nos serviços de transporte rodoviário interestadual de passageiros e no ferroviário.

Desde a implementação da Fase 2 do plano de reabertura em São Paulo, o fluxo de passageiros nos ônibus aumentou 20% segundo cálculos da SPTrans. O número de pessoas transitando a bordo de transporte público coletivo era, antes da pandemia, de 10 milhões diariamente. De março a junho, as catracas giraram de 2 milhões a 3,7 milhões de vezes em dia útil.

Os dados vão subindo ao redor de todo o país. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), responsável pelo transporte público em Porto Alegre, afirmou que houve aumento de 14% de passageiros no início de junho, mas que atualmente a operação está com apenas 38% da demanda em comparação com levantamentos de antes da pandemia. A média de pessoas circulando é de 312 mil.

Depois de queixas dos moradores em relação à demora para deslocamento, a prefeitura da capital gaúcha ampliou recentemente os horários de algumas linhas de ônibus, mediante a flexibilização do isolamento social. O site da EPTC mantém uma lista atualizada dos ajustes feitos.

Com comércios não essenciais reabertos, o transporte público em Goiânia segue com lotação diária nos terminais de ônibus. Diante da possibilidade do sistema entrar em colapso, o Ministério Público do Estado de Goiás solicitou à Justiça que a Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC) crie planos de ações e soluções para o setor. Neste período, eventuais paralisações dos serviços correm risco de multa.

De olho na gestão da retomada de atividades

Retomada de atividades transporte público

No leque de gerenciamento de emergências, um dos grandes desafios para evitar a superlotação do transporte público é a frota. São Paulo está atualmente com 10.791 ônibus em circulação. O Ministério Público e a Defensoria Pública do estado solicitaram que as empresas deverão se adequar para adotar 100% da frota, especialmente em horários de pico.

As viações e trens devem seguir protocolos de desinfecção na limpeza dos veículos e de distanciamento entre passageiros, determinando que ninguém siga viagem em pé dentro do veículo. Entre outras providências, precisam manter a emissão de alertas sobre o contágio do Covid-19, incentivar a prevenção e informar sobre a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção.

O metrô de São Paulo tem feito campanhas pontuais de distribuição de máscaras na porta de estações com grande fluxo de pessoas, como Barra Funda, Paraíso e Tatuapé. Outra medida importante é a instalação de cabines de higienização, um túnel pulverizador de uma solução hospitalar contra vírus, bactérias e demais microorganismos que podem provocar contaminação. O mesmo tipo de box foi colocado nos principais acessos da rodoviária do Rio de Janeiro.

Dentro da campanha “Embarque Consciente”, a capital fluminense conta não apenas com as cabines de solução antisséptica como também a medição da temperatura com termômetros digitais, a sinalização de regras de distanciamento e 40 pontos com acesso gratuito a álcool em gel.

O escalonamento de horário para abertura e fechamento de comércios está entre as iniciativas de algumas cidades, como São Paulo, para conter aglomerações em períodos mais movimentados do transporte público. Os turnos alternados podem ajudar a diluir o fluxo de passageiros, como já vêm acontecendo na China. A Prefeitura de Goiânia também adotou a ideia.

Em termos de inovação no transporte, Porto Alegre ganhou em julho de 2020 um novo serviço alternativo, inspirado em um popular meio de locomoção rápida da Índia: o tuk-tuk. Os triciclos elétricos de cabine fechada da Grilo Mobilidade, já estão em operação para realizar corridas curtas, chamadas de “pulos”. Por enquanto, porém, os veículos sustentáveis funcionam apenas para deslocamentos beneficentes de idosos e da ONG Cozinheiros do Bem, passando pelo bairro Moinhos de Vento e arredores.

A empresa segue um protocolo de limpeza e higienização a cada carona. Os motoristas e usuários precisam usar máscaras, contando ainda com álcool gel em todas as viagens.

O estudo da FGV destaca ainda que o poder público deve se preocupar em oferecer opções de deslocamento mais seguras do que o transporte público. “Uma opção é expansão da rede de ciclovias, por exemplo. Além disso, deve se concentrar em facilitar a utilização de outros modos, como o veículo particular, com isenções de estacionamento, pedágios e outras taxas”.

Alguns países já descartam a circulação de dinheiro para a compra de passagens, fazendo uso de sistemas 100% eletrônicos. Enquanto isso, no Japão, a tecnologia ganha contornos mais intensos com robôs sendo testados para higienização mais ágil e prática dos vagões do metrô de Hong Kong.

Em Londres e Berlim, o uso da bicicleta vem sendo incentivado através da ampliação de ciclovias e de programas de compartilhamento do equipamento. Os moradores têm meia hora grátis para utilizar, auxiliando a locomoção em curtas distâncias e descongestionando o transporte público.

Dicas de prevenção de Covid-19 no transporte público

● Evite deslocamentos desnecessários
● Siga as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e tome todas as precauções necessárias para evitar a contaminação
● Utilize a máscara de proteção corretamente ao longo de todo o percurso
● Procure abrir as janelas do ônibus para que o ar circule
● Lembre-se de manter as mãos higienizadas depois de tocar em quaisquer superfícies
● Procure por rotas ou horários alternativos que possam estar com ônibus ou trens mais vazios, diminuindo as chances de contaminação no transporte público
● Considere outros meios de transporte. Para distâncias curtas, caminhada ou bicicleta são suas aliadas. Com o cartão Alelo Mobilidade o usuário consegue integrar várias formas de locomoção, como metrô, táxi, bicicleta, patinete e transporte individual. O benefício pode ser solicitado online.
● Para as empresas que gostariam de contribuir com a segurança dos colaboradores neste momento delicado, o serviço Gestão de VT oferece rotas mais inteligentes, baratas e eficientes para o vale transporte. A otimização gera ainda economia de até 35 % para os contratantes. Todos saem ganhando!

As novas práticas exigem um período de adaptação, é verdade. Mas com responsabilidade, cautela e paciência, sairemos dessa crise sanitária e financeira fortalecidos.