Conciliar a carreira e a criação dos filhos ainda é um grande desafio para os profissionais, principalmente para as mulheres. Mas a verdade é que o papel masculino tem deveres evidentes na criação das crianças e o que parece uma questão óbvia ainda requer adaptações no mercado de trabalho.

O clima de festividade por conta do Dia dos Pais em 2020 traz também um pano de fundo de uma série de obrigações das empresas. A presença paterna pode ser reforçada assim como a divisão igualitária de papéis. Questões como ampliação da licença paternidade, acompanhamento médico dos filhos e afastamento em caso de adoção são alguns dos pontos que podem ser observados.

Para ajudar as empresas a evidenciarem o papel dos pais na sociedade, o Blog da Alelo organizou as questões legais e as boas práticas relacionadas ao assunto. Confira a seguir:

Pandemia e participação dos pais na criação das crianças

A pandemia do novo coronavírus colocou luz na participação masculina no acompanhamento das crianças. Com as famílias em isolamento social, o home office virou uma atividade conjunta.

Camila Antunes, pedagoga e co-fundadora da consultoria Filhos no Currículo, relata uma ruptura brusca na estrutura das famílias por conta da pandemia. “A casa se tornou lugar de descanso, de trabalho, academia, lazer, escola. Mães e pais precisaram, finalmente, dividir os papéis. Para muitos pais isso é um cenário novo”, diz.

Segundo o pesquisador americano Philip Fisher, diretor do Centro de Neurociência Translacional da Universidade de Oregon (EUA), as empresas têm um papel importante para ajudar a fortalecer a presença dos pais e o estreitamento dos laços com a família. O dia dos pais é uma boa oportunidade para essa reflexão.

“Se é que a pandemia tem um lado bom, esse é a possibilidade da convivência em família. Muitos pais puderam enxergar atividades que só as mães faziam. Isso não é mais admissível em uma criação respeitosa e é preciso compartilhar cada vez mais”, diz.

Na prática, Fisher defende que as empresas adotem uma postura onde seus funcionários se sintam à vontade em dizer aos colegas de trabalho que vão precisar de pausas durante o dia e nas reuniões virtuais para atender as necessidades imediatas das crianças e também de seus parceiros e parceiras.

“Os pais devem poder se sentir confortáveis em dizer ‘preciso parar agora e lidar com meu filho’, sem ter de pedir desculpas. É necessário enxergar isso como algo fundamental para manter o equilíbrio”, afirma.

Para isso, o pesquisador defende que as empresas reforcem a cultura de pertencimento dos homens na criação dos filhos. São estratégias recomendadas campanhas de incentivo como:    

  • Levar as crianças ao ambiente de trabalho quando isso for possível;
  • Palestras sobre empatia;
  • Rodas de conversa entre homens para trocas de experiência e;
  • Propor a criação de um mural de fotos dos pais com seus filhos ou preparar um vídeo com esse conteúdo;
  • Presentear os pais para reforçar o orgulho e pertencimento.

Leis trabalhistas reforçam a importância do papel dos pais

Justamente para suportar a participação dos pais na vida das crianças, há questões legais que devem ser respeitadas nas empresas. A partir do momento da gravidez, o trabalhador já começa a ter direitos especiais.

O futuro pai tem direito a até dois dias de afastamento remunerado, segundo a Lei 13.257/16, para acompanhar consultas de pré-natal.

Depois disso, entra a licença-paternidade. Poder ficar com o filho recém-nascido nos primeiros dias de vida é garantido ao trabalhador. Em casos de relações homoafetivas um dos parceiros também possui o direito de afastamento. O mesmo vale para adoções.

Todos os pais podem ficar cinco dias com a família após o nascimento. Mas de acordo com a Lei 13.257/16, os trabalhadores têm direito a até 20 dias de licença se estiverem em companhias que participem do Programa Empresa Cidadã, do Governo Federal.

Algumas categorias profissionais já conquistaram o direito ampliado de licença-paternidade a partir de acordos. E muitas empresas ampliaram esse período por conta própria. Afinal, o bem-estar do funcionário pode torná-lo grato e mais engajado com a empresa, como defendem consultores de RH.

Segundo uma do Grupo Talenses, apenas 1% das companhias que atuam no Brasil oferecem mais de dois meses de licença-paternidade aos funcionários. A empresa Japan Tobacco International (JTI), especializada em tabaco e vaping, é uma delas e oferece 20 semanas (140 dias) de licença remunerada aos pais, independentemente de gênero, orientação sexual ou até mesmo de como os colaboradores tiveram filhos, seja por gestação, adoção ou barriga solidária.

Obviamente a participação masculina não termina na época do nascimento. Poucos sabem, mas os pais também têm direito de acompanhar consultas médicas e exames dos filhos de até seis anos de idade. Um dia de trabalho remunerado é garantido para isso anualmente.